• 6 de julho de 2026
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segunda-feira, 6 de julho de 2026 | Wesslley Sales

Política do “corrupião”: Grupo do Prefeito Francisco Emanuel tenta assumir autoria de asfalto liberado ainda na gestão Mão Santa

Na linguagem política, “corrupião” é quem tenta ocupar o espaço de uma conquista construída por outros. Recursos de quase R$ 5 milhões foram destravados pela Codevasf após articulação de Gracinha Mão Santa em 2024, quando o prefeito de Parnaíba ainda era

A recente visita do prefeito Francisco Emanuel (PP) às obras de asfaltamento em Parnaíba abriu mais um capítulo da disputa política que hoje divide o grupo que governou a cidade até o fim de 2024 e a atual administração municipal.

Ao aparecer nas obras e associar os investimentos ao seu grupo político o prefeito tenta construir uma narrativa de protagonismo sobre uma conquista que possui registros públicos de origem bem definidos. Os fatos mostram que a história começou muito antes da posse de Francisco Emanuel.

Em maio de 2024, quando o prefeito de Parnaíba ainda era Mão Santa, o portal OPINIÃO E NOTÍCIA (CLIQUE AQUI E VEJA A REPORTAGEM E ÁUDIOS DA ÉPOCAdivulgou que a então deputada estadual Gracinha Mão Santa havia procurado pessoalmente a Superintendência da Codevasf no Piauí para cobrar agilidade na liberação de recursos destinados ao asfaltamento de ruas e avenidas da cidade.

Naquele momento, a preocupação da parlamentar era evitar que a burocracia impedisse a execução das obras dentro dos prazos permitidos pela legislação eleitoral. A própria Gracinha tornou pública a cobrança feita ao órgão federal, alertando que a demora poderia prejudicar Parnaíba mesmo com os recursos disponíveis.

A resposta veio do então superintendente da Codevasf no Piauí, Marcelo Castro Filho, que confirmou que os processos foram acelerados após a intervenção da deputada. Segundo ele, aproximadamente R$ 4,8 milhões foram liberados e a Prefeitura de Parnaíba foi comunicada para iniciar os procedimentos necessários à execução das obras.

O detalhe político é impossível de ignorar: quando os recursos foram destravados, Francisco Emanuel não era prefeito. Sua posse só ocorreria em janeiro de 2025. Na época, a administração municipal estava sob o comando de Mão Santa e a articulação junto à Codevasf era conduzida por Gracinha Mão Santa.

É justamente por isso que adversários da atual gestão têm recorrido à expressão popular nordestina do “corrupião” para definir a situação. Na política, o termo é usado para caracterizar quem aparece para reivindicar a autoria de uma obra ou benefício cuja construção política foi feita por outras lideranças.

A comparação ganhou força porque não se trata de uma obra sem histórico conhecido. Existem declarações públicas, registros jornalísticos e manifestações oficiais da própria Codevasf apontando quem levou a demanda ao órgão, quem cobrou a liberação e em qual gestão municipal o recurso foi autorizado.

Isso não significa negar o papel da atual Prefeitura na execução das obras. Administrar, fiscalizar e acompanhar a aplicação dos recursos é obrigação do gestor de plantão. O debate surge quando a execução passa a ser apresentada como se fosse resultado de uma articulação política recente.

Nos bastidores de Parnaíba, a avaliação é que a tentativa de vincular o asfaltamento a Francisco Emanuel e a Júnior Percy, que nada fez, é parte de uma estratégia para fortalecer um novo grupo político e criar ativos eleitorais para 2026. O problema é que, neste caso, a cronologia dos fatos não ajuda a sustentar a narrativa.

Os documentos e declarações disponíveis mostram que os quase R$ 5 milhões para o asfaltamento foram liberados ainda em 2024, durante a gestão Mão Santa, após uma cobrança direta de Gracinha Mão Santa à Codevasf. O restante é disputa política pela autoria de uma obra cuja origem já está registrada na história recente de Parnaíba.

 Política do “corrupião”: Grupo do Prefeito Francisco Emanuel tenta assumir autoria de asfalto liberado ainda na gestão Mão Santa  


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