• 8 de julho de 2026
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quarta-feira, 8 de julho de 2026 | Wesslley Sales

Justiça mantém sigilo em investigação sobre R$ 1,65 milhão dos consignados e amplia pressão sobre prefeito de Canto do Buriti

Caso revelado pelo OPINIÃO E NOTÍCIA no início do ano ganha novo capítulo: Justiça nega acesso antecipado ao inquérito que apura possível uso de dinheiro descontado dos servidores para outras finalidades, inclusive eleitoral.

Uma investigação que começou com uma denúncia sobre empréstimos consignados de servidores municipais agora ganhou contornos ainda mais graves em Canto do Buriti. A Justiça Eleitoral decidiu manter sob sigilo o inquérito que apura o destino de valores descontados dos salários dos servidores da Prefeitura e que, segundo as suspeitas investigadas, não teriam sido repassados aos bancos responsáveis pelos empréstimos.

A decisão representa um novo desdobramento de um caso que já havia sido revelado em primeira mão pelo OPINIÃO E NOTÍCIA em março deste ano (CLIQUE AQUI E VEJA A REPORTAGEM), quando o Ministério Público confirmou a abertura de investigação para apurar um possível débito de aproximadamente R$ 1,65 milhão, sendo cerca de R$ 150 mil junto à Caixa Econômica Federal e aproximadamente R$ 1,5 milhão junto ao Banco do Brasil.

Na prática, a suspeita investigada é simples de entender e extremamente preocupante: o dinheiro era descontado diretamente do salário dos servidores, mas existiam indícios de que esses valores não estavam chegando às instituições financeiras responsáveis pelos contratos.

O servidor paga, mas a dívida continua.

O problema é considerado grave porque o empréstimo consignado funciona justamente com desconto automático na folha de pagamento. Ou seja, o trabalhador acredita que a parcela foi paga porque o valor saiu do salário. Porém, se o repasse ao banco não acontece, a dívida continua existindo perante a instituição financeira.

Em situações desse tipo, o servidor pode sofrer cobranças, enfrentar dificuldades de crédito e até ter o nome negativado, mesmo tendo tido o valor descontado mensalmente em seu contracheque. Foi exatamente esse cenário que levou o Ministério Público a abrir a investigação no começo do ano.

Agora a suspeita ficou ainda mais séria. A nova decisão da Justiça Eleitoral mostra que a apuração avançou para um patamar mais delicado. Segundo os documentos divulgados, a Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral investigam se os recursos que deixaram de ser repassados aos bancos teriam sido utilizados para outras finalidades, incluindo uma possível utilização eleitoral.

Por esse motivo, o prefeito Dr. Fellipe Alves (MDB) pediu acesso ao conteúdo completo da investigação, mas teve o pedido negado pela Justiça. A juíza Maria Luiza de Moura Mello e Freitas entendeu que a liberação neste momento poderia prejudicar diligências ainda em andamento e comprometer a produção de provas.

Na decisão, a magistrada afirma que a investigação ainda está em fase inicial e que existem medidas investigativas em curso que precisam ser preservadas. Outro ponto que chama atenção é que a investigação não se limita ao eventual não repasse dos consignados.

O inquérito também menciona um gerente do Banco do Brasil que já havia aparecido nas denúncias analisadas pelo Ministério Público. Além disso, os investigadores buscam rastrear movimentações financeiras envolvendo a empresa Casarão Construção, que mantém contratos de alto valor com a Prefeitura de Canto do Buriti.

A suspeita não significa culpa ou condenação de qualquer investigado. O objetivo da apuração é justamente verificar se houve irregularidades, qual foi o destino do dinheiro e se existiu participação de outras pessoas ou empresas. Quando o Ministério Público abriu o procedimento, a principal preocupação era descobrir por que os bancos não estavam recebendo valores que haviam sido descontados dos salários dos servidores.

Agora, meses depois, a investigação ganhou uma dimensão muito maior. A decisão da Justiça mostra que as autoridades não estão tratando o episódio apenas como um possível problema administrativo ou financeiro. A apuração busca identificar para onde foi o dinheiro, quem teve acesso aos recursos e se houve utilização dos valores para finalidades diferentes daquelas previstas em lei.

Por enquanto, o inquérito continua em sigilo, mas a decisão da Justiça deixa claro que as autoridades consideram a investigação suficientemente sensível para impedir o acesso antecipado aos autos até a conclusão das principais diligências.


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