• 25 de julho de 2026
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sábado, 25 de julho de 2026 | Wesslley Sales

MP aciona prefeito de Canto do Buriti por deixar crianças vítimas de violência sem proteção prevista em lei

Ministério Público afirma que prefeitura ignorou recomendações por mais de dois anos e pede que Justiça obrigue o município a implantar serviço de escuta especializada em até 90 dias.

O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) ajuizou uma ação civil pública contra o prefeito de Canto do Buriti, Marcus Fellipe Nunes Alves, o Dr. Fellipe Alves, para obrigar o município a implantar a chamada escuta especializada, um atendimento obrigatório por lei destinado a crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência. Segundo o órgão, a prefeitura permanece em situação de omissão desde 2024, mesmo após recomendações e tentativas de solução sem necessidade de recorrer à Justiça.

Na ação, assinada pelo promotor de Justiça José Marques Lages Neto, o Ministério Público pede que a Justiça conceda uma tutela de urgência determinando que a prefeitura apresente, em até 90 dias, um plano para colocar o serviço em funcionamento. Caso a decisão seja descumprida, o MP solicita a aplicação de multa diária de R$ 2 mil ao gestor.

A escuta especializada foi criada pela Lei Federal nº 13.431/2017 justamente para proteger crianças e adolescentes durante o atendimento após episódios de violência. Na prática, o procedimento evita que a vítima precise repetir várias vezes o relato do abuso ou da agressão para diferentes órgãos públicos, reduzindo o sofrimento psicológico conhecido como revitimização.

Esse atendimento deve ser realizado por profissionais capacitados da rede de proteção, envolvendo áreas como assistência social, saúde e educação. O objetivo é garantir que crianças e adolescentes sejam acolhidos de forma humanizada e segura, preservando seus direitos enquanto os fatos são apurados pelas autoridades.

De acordo com o Ministério Público, a investigação constatou que Canto do Buriti não possui um fluxo estruturado para esse tipo de atendimento, especialmente nos casos de violência sexual contra menores. O órgão afirma ainda que, durante mais de dois anos de acompanhamento, tanto o prefeito quanto o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) deixaram de cumprir recomendações expedidas pelo próprio MP para regularizar a situação.

Na ação, o promotor destaca que todas as tentativas de resolver o problema administrativamente fracassaram. Segundo ele, a persistência da omissão tornou inevitável o ajuizamento da ação para assegurar um direito garantido pela legislação federal.

Além da implantação da escuta especializada, o Ministério Público pede que o município crie um Comitê de Gestão Colegiada, responsável por integrar as ações entre saúde, educação e assistência social, disponibilize uma sala adequada para o atendimento das vítimas e promova a capacitação dos profissionais que atuarão no serviço.

Para o MP, essas medidas representam a estrutura mínima necessária para garantir que crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência sejam acolhidos com dignidade, proteção e segurança, evitando novos traumas durante o atendimento institucional.

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