Tem coisas que só a política explica, claro, dentro das suas previsíveis imprevisibilidades. Exemplo disso é o Partido Liberal no Piauí que, com ou sem bolsonarista no comando, não consegue manter uma candidatura própria. O que explica esse fenômeno?
Em 15 de setembro de 2022, Jair Bolsonaro realizou a sua tradicional live semanal e surpreendeu ao exibir cartazes com as fotos e nomes de Sílvio Mendes (União Brasil) para governador e de Joel Rodrigues (Progressistas) para o Senado. Nesse dia, o Major Diego (hoje Coronel) continuava firme em sua campanha ao governo pelo PL.
Exatamente duas semanas após esse episódio na live e a apenas três dias do primeiro turno das eleições, o Coronel Diego Melo convocou uma coletiva de imprensa para anunciar oficialmente a retirada de sua candidatura e declarar apoio a Sílvio Mendes. Na prática, houve pressão da Executiva nacional por diversos fatores: falta de viabilidade de Diego, a possibilidade de um segundo turno e acordo entre PP e PL e, claro, a influência do Senador Ciro Nogueira.
Agora, quatro anos depois, a cena se repete no Piauí. O jornalista Toni Rodrigues foi rifado pela executiva estadual do Partido Liberal, com convite a desfiliação. Os motivos, praticamente os mesmos de 2022, a alegação de baixo crescimento nas pesquisas e novamente a força do Presidente nacional do Progressistas em busca de unificar as oposições em torno de Joel Rodrigues.
Isso é do jogo político, principalmente no Piauí, onde o PT conseguiu vencer cinco vezes consecutivas em primeiro turno, sendo quatro com Wellington Dias e uma com Rafael Fonteles, além de fazer seus sucessores sem dar chance a oposição. Esse é o grande medo e o repeteco da aliança PP-PL em 2026. Mas, há os componentes de bastidores que pouco se fala.
Como em 2022, o candidato a Presidência da República do PL não terá palanque no Piauí. Pelo menos não com candidato ao Governo. Na última eleição Sílvio Mendes escapuliu dessa possibilidade e, agora, Joel faz a mesma coisa. Dificilmente Ciro Nogueira abrirá esse espaço principalmente porque Flávio Bolsonaro teria sido “traíra” com o Senador no caso das investigações do Banco Master. Sobra o pré-candidato ao Senado, Tiago Junqueira, Presidente do PL no Estado e seu grupo.
Fora isso tem a situação de como tudo aconteceu este ano. Toni Rodrigues estava firme na pré-campanha. Viajou, acompanhou Tiago Vasconcelos onde foi possível e convidado. Usava as redes sociais para divulgar seu nome, o PL e o próprio pré-candidato ao Senado para mobilizar e fazer frente ao principal adversário, o governo Rafael Fonteles. Mas, não veio o apoio que ele esperava até o fim. As conversar em torno de apoiar Joel Rodrigues foram tratadas, segundo ele, “por baixo dos panos”, “às escondidas”, sem que fosse procurado para tratar sobre o assunto.
“Não fui comunicado de nenhuma decisão sobre aliança com o PP (Progressistas); Fui surpreendido pela informação de que estava sendo discutida a possibilidade de uma aliança PL/PP; Não farei parte de nenhuma coligação PL/PP. O partido tem que colocar publicamente sua posição. Dizer que não serei candidato a governador e assumir quem, de fato, está desistindo de concorrer ao Palácio de Karnak. Não sou eu. Lamento pelos que desistem. Não concordo com o apoio a Joel Rodrigues porque entendo que PT e PP são duas faces de uma mesma moeda. Qual a diferença entre ambos? Ressalto que nada tenho de pessoal contra o candidato progressista. Mas recrimino a forma como as decisões estão sendo tomadas, ao arrepio da transparência propalada; Tudo está sendo feito como "jogo de cartas marcadas" e "por debaixo dos panos"; se vai à mídia apenas para anunciar uma decisão já tomada, sem qualquer debate na instância partidária. Os partidários do interior estão completamente abismados com todos esses acontecimentos”, disse o agora ex-pré-candidato a Governo em suas redes sociais (CONFIRA NA ÍNTEGRA CLICANDO AQUI).
Em uma live nesta quinta-feira (16) o Presidente do PL no Piauí afirmou que Toni Rodrigues não foi pego de surpresa com a retirada da candidatura do partido ao Governo e que diferente de Joel, ele não teria “tracionado” nas pesquisas, além de problemas no próprio grupo, que teriam sugerido conversa com o candidato do PP e tentar até mesmo a vice: “ele não soube lidar com uma rejeição interna no PL, que eu jamais plantei essa rejeição”. Tiago Junqueira disse ainda estar decepcionado com o jornalista, comunicando que ele foi retirado dos grupos de Whatsapp da sigla e de cargo de diretoria.
Porém, nos bastidores o que se fala, inclusive por membros do próprio Partido Liberal, é que Junqueira, um grande produtor do agronegócio nos Cerrados piauienses, teria sido convencido de que teria mais viabilidade ao Senado juntando forças com o Progresssitas, uma campanha de primeiro e segundo voto. Para isso, no entanto, seria preciso abdicar de candidatura ao Governo e buscar unificar as oposições. Fontes do OPINIÃO E NOTÍCIA no partido negam essa hipótese. Na live Junqueira mostrou pesquisas internas que mostrariam que o eleitor de Teresina e Parnaíba preferia apoio ao PP no primeiro turno a lançar candidato próprio, mas que Toni não teria aceitado o resultado (VEJA CLICANDO AQUI).
Enquanto isso, Mainha, Presidente do Podemos, já confirmou que deixa a disputa para apoiar Joel Rodrigues. Outros partidos estão sendo considerados a esta mesma decisão, como é o caso dos tucanos. Porém, Jorge Lopes (Presidente da federação PSDB-CIDADANIA) nega qualquer possibilidade e mantém a candidatura da Dra. Lúcia Santos ao Governo. “Esse é um jogo de eliminação. Não faremos parte dessas manobras que só beneficiam Rafael Fonteles a vencer logo no primeiro turno. Nossa candidatura vai ajudar a levar a disputa para segundo turno”, avalia.
Vale ainda uma reflexão. Sem palanque no Piauí que, na última eleição deu a Lula mais de 1.084.318 votos de maioria sobre Bolsonaro, a chance de Flávio melhorar esse desempenho em relação ao pai deve ser difícil. Ficará dependendo do esforço de lideranças do PL. Com candidatura própria mais recursos dos fundos partidários e campanhas regionais também impulsionam indiretamente a mobilização visual e a militância pró candidato a presidente, além de animar ainda mais a militância. Importante destacar que, não é acreditar que mudaria o resultado final, mas qualquer crescimento neste sentido sinalizaria para o futuro e novas ações de fortalecimento da sigla no Estado mais lulista do Brasil, que atualmente não tem prefeitos ou deputados, apenas quatro vereadores que, na prática, sequer podem ser chamados de bolsonaristas.
Depois de Major Diego a vítima do PL no Piauí é Toni Rodrigues
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