Nesta terceira reportagem o portal OPINIÃO E NOTÍCIA mostra que o país já teve voto impresso utilizando a urna eletrônica e os motivos do modelo não ter dado certo. Outro ponto destacado é quais mecanismos foram adotados para auditar os votos e dar segurança ao pleito.
AUDITORIA PARALELA SIMULA ELEIÇÃO E SUBSTITUI VOTO IMPRESSO
No último sábado (31) onze partidos foram ao Tribunal Superior Eleitoral para que a justiça exija do Presidente da República comprove fraudes eleitorais. Jair Bolsonaro tem defendido o voto impresso para garantir a lisura do pleito, ameaçou não disputar a reeleição caso não seja aprovada a PEC, mas não apresentou nenhuma prova da manipulação dos resultados.
Um dos pontos que é defendido pelo Presidente é que a urna eletrônica não é auditável e, portanto, possível de ser fraudada. Porém, Bolsonaro não menciona que o Brasil já teve experiência com voto impresso através de uma impressora acoplada aos equipamentos ainda em 2002. Porém, a justiça eleitoral desistiu dessa ideia após constatar problemas.
“Tivemos em 2002 um segmento onde adotamos o voto impresso como mecanismo auxiliar de auditoria. Na ocasião foi utilizado um mecanismo na lateral da urna eletrônica, como a que temos hoje, que funcionava similar ao que estão propondo agora. O eleitor fazia a votação na urna, ao final, antes de confirmar o voto ele visualizava os candidatos que havia selecionado e ao mesmo tempo no papel (um display ao lado da urna) ele visualizava também a impressão do voto dele. Após ele confirmar a cédula caia em uma urna preta, lacrada, que ficava ao lado da urna eletrônica. Isso foi realizado em forma de teste em 6% das urnas eletrônicas usadas no Brasil, onde tivemos muitos problemas de ordem operacional na hora da impressão do voto, uma vez que a impressora é um mecanismo eletrônico. Tivemos ainda uma grande dificuldade do eleitor menos esclarecido, que ainda é grande parte da população piauiense, não compreendia esse passo de votar na tela, aguardar confirmação, conferir no papel, confirmar o voto e sair. Além do mais esse mecanismo se mostrou, após a experiência, algo que não contribuía porque criamos outros mecanismos que poderiam validar a segurança e a garantia do voto sem necessidade do equipamento”, explicou em entrevista à Teresina FM, Anderson Cavalcanti de Lima, Secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí.
A partir dai a justiça eleitoral reforçou a auditoria das urnas eletrônicas, além de reforçar a segurança dos equipamentos, como tratamos em outras reportagens. Anderson Cavalcanti disse que desde essa primeira experiência com voto impresso foram adotadas outras medidas com uso inclusive de filmagens para simular eleição.
“Depois disso começou a ser executado pela justiça eleitoral a auditoria da votação eletrônica, ou seja, uma votação paralela. Na prática, na véspera da eleição são sorteadas duas urnas no Estado (hoje são três). Elas vem para Teresina onde, acompanhada pelos partidos e fiscais, é realizada uma simulação de eleição. Ao final é demonstrado que o voto que saiu na urna foi exatamente o que foi consagrado durante do dia em um ambiente filmado e fiscalizado, garantindo acesso aos partidos e também à população. Essa auditoria de votação paralela substitui o voto impresso simulado em 2002”, conclui.
De fato, desde o início da votação com as urnas eletrônicas a 25 anos nenhum órgão de controle oficialmente apontou fraudes no processo de votação. Até hoje a Polícia Federal, por exemplo, jamais encontrou nada que comprometesse o resultado das eleições no Brasil. Auditorias já foram solicitadas por partidos políticos e candidatos derrotados, como Aécio Neves e o PSDB, mas ambos reconheceram a derrota no voto e não por fraudes em 2014.
CONFIRA AS DUAS PRIMEIRAS REPORTAGENS DA SÉRIE:
1 - Urnas eletrônicas: porque é importante para eleição que técnicos e hackers encontrem falhas?
2 - Urnas eletrônicas: porque não é tão simples manipular o sistema para beneficiar candidatos?
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