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quarta-feira, 28 de julho de 2021 | Wesslley Sales

Urnas eletrônicas: porque é importante para eleição que técnicos e hackers encontrem falhas?

A partir de hoje o portal OPINIÃO E NOTÍCIA inicia uma série de três reportagens sobre a confiabilidade, auditabilidade e voto impresso

A partir de hoje (28) o portal OPINIÃO E NOTÍCIA inicia uma série de três reportagens sobre a confiabilidade da urna eletrônica brasileira, sua auditabilidade e a experiência com voto impresso. Atualmente o equipamento recebe críticas e uma Proposta de Emenda à Constituição tenta viabilizar o voto impresso. Nesta primeira parte vamos confrontar opiniões sobre as falhas no sistema.

FALHAS NÃO SIGNIFICAM FRAUDES SE FOREM CORRIGIDAS

Continua a polêmica em torno da segurança e da inauditabilidade das urnas eletrônicas, com pressão de um general do Exército e os constantes ataques do Presidente da República que chegou a ameaçar não disputar a reeleição caso a eleição não tenha voto impresso. A deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL) usou as redes sociais para criticar o equipamento e, para isso, trouxe o lamento do Professor Diego Aranha que trocou o Brasil pela Dinamarca em 2018 após constatar em testes falhas nas máquinas. 

“Conseguimos, por exemplo, alterar mensagens de texto exibidas ao eleitor na urna para fazer propaganda a um certo candidato. Também fizemos progresso na direção de desviar voto de um candidato para outro”, disse Aranha à época.

Porém, o que o especialista em criptografia não disse é que esses testes feitos pela Justiça Eleitoral são abertos a peritos indicados por partidos políticos, universidades, Tribunal de Contas da União, Ministério Público e até a Polícia Federal. O objetivo é exatamente o apontado por Diego Aranha, encontrar e retirar possíveis falhas com a atualização do código fonte.

“A Justiça Eleitoral disponibiliza para especialistas do Governo, do mercado, academias, hackers e crackers a abertura do seu sistema para que aconteça o teste de segurança. Desta forma, eles possam analisar todo o código fonte utilizado para criar os programas da urna eletrônica. Eles buscam criar mecanismos que tentem burlar esse sistema. Essa é a grande finalidade. Com a contribuição desses especialistas, encontramos pontos de fragilidade e com isso melhoramos o sistema de segurança. Porém, nenhuma dessas fragilidades identificadas chegava a comprometer o sigilo do voto ou o resultado final da urna eletrônica e todas foram sanadas antes da eleição”, explica o Secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí, Anderson Cavalcanti de Lima.

De fato, desde o início da votação com as urnas eletrônicas a 25 anos nenhum órgão de controle oficialmente apontou fraudes no processo de votação. Até hoje a Polícia Federal, por exemplo, jamais encontrou nada que comprometesse o resultado das eleições no Brasil.

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