Parlamentares eleitos em partidos da chama direita brasileira travaram disputa direta e indireta no último sábado, quando foram eleitos para presidir a Câmara o deputado Hugo Motta (REP) e no Senado, David Alcolumbre (UB). O motivo foram candidaturas paralelas e as chamadas “traições” às orientação do ex-Presidente Jair Bolsonaro (PL). Como pano de fundo, o apoio do Governo aos dois novos comandantes do Congresso Nacional.
A troca de farpas foi pelas redes sociais após uma postagem do deputado Ricardo Salles (NOVO), ex-Ministro de Bolsonaro. Ele comemora os 31 votos recebidos pelo seu colega de partido Marcel Van Hattem, que entrou na disputa pela presidência da Câmara. Acontece que a sigla possui apenas quatro parlamentares. “Esses votos efetivamente representam os valores da direita liberal conservadora, que não transige com o Centrão, não coaduna com posturas e práticas incompatíveis com as nossas crenças”, disse no X.
O tempo fechou após a resposta de Van Hattem: “Ainda reduzida", mas que vai EXPLODIR em 2026. Sem contar nas nossas candidaturas ao Senado. Bora!!!”. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL) foi na canela do parlamentar: “A sua votação para presidente da Câmara aumentou [em relação a 2023] porque o partido de Bolsonaro passou de 36 deputados para cerca de 100. Você sabe que teve mais votos de deputados do PL do que do seu partido, o Novo. Um político que se elegeu em 2022 fazendo vídeo com Bolsonaro — e vai buscar fazer de novo em 2026 —, mas que atua na política divergindo da orientação de Bolsonaro não tem moral para falar dos outros. Aí está a verdadeira divisão da direita. E a troco de quê? De dar palanque para vocês tentarem se turbinar para as próximas eleições?”, afirmou e, desta forma, evidenciando o racha entre os parlamentares do Partido Liberal.
O motivo é que, em vez de seguir o pragmatismo traçado na orientação de Jair Bolsonaro em apoiar um candidato do Centrão e não um da direita, parte dos deputados do PL optaram por manter a ideologia. Com isso, não votaram em quem também recebeu o abraço do Governo, como aconteceu com Hugo Motta. Essa realidade foi constatada na “comemoração” de Ricado Salles, como mostramos no início do artigo.
Ainda nesta segunda-feira (3) os Presidentes da Câmara e do Senado tem encontro com o Presidente Lula. Apesar de fazerem discursos de “independência” e “fortalecimento do parlamento”, Alcolumbre e Motta terão duas pautas antagônicas, do ponto de vista ideológico e político. Eles devem receber pautas prioritárias do Governo e terão pressão para botar pra frente a proposta de anistia a todos os envolvidos na tentativa de golpe de estado, que deve incluir Jair Bolsonaro, derrubando sua inelegibilidade e o devolvendo para disputa em 2026. Resta saber se serão pragmáticos ou devolvem os favores, algo quase impossível de agradar aos dois lados.

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