• 4 de junho de 2026
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segunda-feira, 7 de abril de 2025 | Wesslley Sales

Jair Bolsonaro volta à Paulista em busca de salvar a própria pele na PEC da anistia

Ato tenta mostrar força popular, mas não mobiliza mais como antes e tem efeito limitado no Congresso e no STF

Jair Bolsonaro voltou à Avenida Paulista no último domingo (6), em mais um ato com discurso de perseguição e apelos à anistia para os presos do 8 de janeiro, principalmente para ele próprio, um dos beneficiados caso a PEC seja aprovada. O evento reuniu pouco mais de 40 mil pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar. Ainda que expressivo, o número ficou aquém das grandes mobilizações bolsonaristas de anos anteriores, evidenciando uma perda de fôlego na capacidade de mobilização do ex-presidente.

Sem o cargo e sem a máquina pública, Bolsonaro já não arrasta multidões como antes. O que se viu foi uma base fiel, mas muito restrita — composta por aliados históricos, parlamentares do núcleo duro da direita e militância organizada. Uma bolha que ainda grita alto, mas já não assusta como antes, apesar da presença de sete Governadores, entre eles possíveis candidatos à Presidência da República em 2026, como Tarcísio de Freitas (REP-SP), Ronaldo Caiado (UB-GO) e Ratinho Júnior (PSD-PR), todos em busca do espólio eleitoral do ex-Presidente.

Congresso pragmático e pouco receptivo

No Congresso, o efeito do ato foi mínimo. O presidente da Câmara, Hugo Motta (REP-PB), já deu sinais de que não tem pressa — nem disposição — para pautar um eventual projeto de anistia aos envolvidos nos ataques golpistas de janeiro de 2023. O gesto de Bolsonaro, que durante o discurso clamou por “anistia” e “pacificação”, não encontra eco entre os parlamentares, que seguem atentos às negociações com o governo e de olho nas eleições de 2026.
No Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP) já havia se mostrado crítico aos atos antidemocráticos e dificilmente abriria espaço para uma iniciativa que pudesse soar como conivência institucional.

STF segue imune às pressões da rua
No Supremo Tribunal Federal, o jogo é outro. As investigações que envolvem diretamente Bolsonaro continuam avançando, especialmente o inquérito que apura uma tentativa de golpe de Estado. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, mantém a firmeza que já se tornou marca de sua atuação. Se a manifestação visava pressionar a Corte, o efeito pode ter sido o contrário: o STF tende a reforçar sua atuação diante de tentativas de intimidação pública.

A base fala alto, mas para poucos
Bolsonaro ainda mantém um núcleo radicalizado e barulhento, mas isso não é mais suficiente para alterar os rumos da política institucional. A falta de articulação concreta, somada à crescente rejeição fora da bolha bolsonarista, torna seus movimentos cada vez mais simbólicos e menos eficazes.

No fim das contas, a Avenida Paulista foi palco de mais um gesto de resistência política, mas que dificilmente mudará os rumos do Congresso — e muito menos a rota do Supremo Tribunal Federal, que estará pronto para agir em caso de aprovação da anistia no legislativo.

 Jair Bolsonaro volta à Paulista em busca de salvar a própria pele na PEC da anistia  


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