• 4 de junho de 2026
ÚLTIMAS NOTÍCIAS

quarta-feira, 6 de agosto de 2025 | Wesslley Sales

Ciro Nogueira diz que não assinará pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes

Congresso não tem votos suficientes e, para o Presidente do Progressistas, a pauta é “impossível” porque não possuí os 54 votos necessários. Senador defendeu o pragmatismo político.

O senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL), descartou de forma categórica apoiar ou assinar o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em entrevista ao Contexto Metrópoles nesta quarta-feira (6/8), afirmou que a iniciativa é “impossível” politicamente e que o Congresso não possui os 54 votos necessários para aprovar a destituição do magistrado.

Nogueira explicou que, mesmo com o número mínimo de 41 assinaturas exigidas para protocolar um pedido de impeachment, a tramitação depende exclusivamente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União‑AP). "Mesmo com 80 assinaturas, ele poderia não pautar o processo", ressaltou. Sobre a sua própria posição, destacou: “não assinei nem assinarei. Não perco tempo com pautas que não têm chance de sucesso”.

O senador lembrou de sua participação decisiva no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, quando havia base política consolidada. “Naquela época tínhamos maioria. Agora não temos”, comparou, frisando que não vê viabilidade na atual conjuntura.

O posicionamento de Nogueira reflete a estratégia de uma ala do Centrão, que prefere focar em pautas consideradas “legítimas”, como a anistia a parlamentares condenados por atos antidemocráticos, e evitar desgaste em iniciativas com baixíssima chance de prosperar.

Através de sua assessoria, o Senador Marcelo Castro (MDB) informou ao OPINIÃO E NOTÍCIA que também descartou apoio ao impeachment do Ministro Alexandre de Moraes. No último levantamento mostrado em nossa publicação, já havia a possibilidade dos três senadores piauienses não abraçarem a causa da extrema direita bolsonarista. Enquanto isso, poucos parlamentares fiéis ao ex-Presidente seguem em uma espécie de motim para barrar os trabalhos na Câmara.

Em nota, o Senador Ciro Nogueira detalhou seu posicionamento:

O impeachment de Moraes depende de apenas uma decisão: a de Davi Alcolumbre.

Uma assinatura. Um homem. Só isso.

Há muita confusão circulando por aí sobre o processo de impeachment de ministros do STF, especialmente no caso de Alexandre de Moraes. Muita gente acha que é preciso coletar “assinaturas de senadores” para que o processo comece. Isso é falso.

A verdade é que qualquer cidadão pode protocolar uma denúncia fundamentada com provas. A partir daí, a decisão de aceitar ou não é exclusiva do presidente do Senado, hoje Davi Alcolumbre.

Não existe etapa de abaixo-assinado interno, tampouco necessidade de apoio prévio de senadores. É ele, sozinho, quem decide se o processo anda ou não.

Se ele aceitar a denúncia, ela será lida no plenário do Senado na sessão seguinte. Em seguida, é formada uma Comissão Especial com 21 senadores, que terá dez dias para emitir um parecer. Só depois disso o caso vai a plenário. E aí sim é necessária maioria simples — 41 dos 81 senadores — para instaurar formalmente o processo.

Ou seja, os 41 votos vêm depois, não antes. Quem diz o contrário, ou está mal informado ou está tentando blindar o Supremo com base em falsidades.

Agora, o mais importante, sou a favor do impeachment de Moraes, mas ele não resolve, sozinho, os problemas do STF.

Como escrevi em meu artigo, “Mais que impeachment”, é necessária uma emenda constitucional para ampliar as cadeiras da Corte e restabelecer o mínimo de paridade ideológica, é preciso de ministros de direita.

E antes de tudo isso, precisamos anistiar os presos do 8 de janeiro. Essa é a pauta prioritária da direita — foi a bandeira central do ato do dia 3/8 e deve continuar sendo.

A anistia, além de um gesto de justiça, é o primeiro passo para reabilitar politicamente Bolsonaro.

O projeto apresentado por Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) deixa clara a intenção: estender o perdão ao ex-presidente, hoje inelegível, e ao alto escalão de seu governo denunciado pela PGR.

Portanto, vamos organizar a ordem das coisas: primeiro anistiar os perseguidos, depois pressionar pelo impeachment, e sempre ampliar a base de senadores de direita.

Tudo tem seu tempo. E o tempo agora é de pressionar Davi Alcolumbre.

CONFIRA MATÉRIA RELACIONADA:

Impeachment de Alexandre de Moraes tem apoio maior entre os bolsonaristas no Senado que, para ser aprovado, precisa de 54 votos

Quando a democracia sangra: deputados ameaçados de prisão nos EUA e no Brasil parlamentares fazem motim para impor pautas bolsonaristas

Deixe sua opinião:

Veja também: