"Depois de o presidente da República, Jair Bolsonaro, aventar a hipótese de atentar contra o regime democrático, por meio de alguns institutos previstos na Constituição (GLO ou estado de defesa ou estado de sítio), o então comandante do Exército, general Freire Gomes, afirmou que caso tentasse tal ato teria que prender o presidente da República”. Esta frase foi dita pelo tenente-brigadeiro do ar Carlos Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da Aeronáutica, disse em depoimento à Polícia Federal em março deste ano.
Esta é uma das possibilidades para que o golpe de Estado não tenha sido executado, de acordo com as informações trazidas no inquérito da Polícia Federal que indiciou Jair Bolsonaro, os generais Braga Netto e Augusto Heleno, além de outros militares do Exército, um total de 37 pessoas que teriam participado de todo planejamento. O ex-Presidente é apontado com peça central dos atos golpistas.
O que alguns dos indiciados afirmam que seria preciso apoio das Forças Armadas para um golpe de Estado, como forma de mostrar que não havia esta possibilidade. Porém, faltou esse apoio do Exército e da Aeronáutica, diferente do almirante Almir Garnier, comandante da Marinha, que, de acordo com a Polícia Federal, tinha tanques e homens preparados para a ação, como mostram prints de conversas entre os conspiradores (VEJA APÓS AO FINAL REPORTAGEM). "Fomos covardes", afirmou em outro trecho de conversa com o tenente Mauro Cid , o tenente-coronel do Exército Sergio Ricardo Cavaliere de Medeiros.
Todo o conjunto de prova resultou na deflagração, semana passada, da Operação Contragolpe, com a prisão de quatro militares do Exército que pertencem a uma tropa de elite denominada Kids Pretos e um Policial Federal. Eles são acusados de fazer parte do planejamento da Operação Punhal Verde e Amarelo que, entre outras ações, previa matar o Presidente Lula, seu vice Geraldo Alckmin e o Ministro do STF, Alexandre de Moraes. O ex-Presidente Jair Bolsonaro vê a cada dia o cerco se fechando e a possibilidade de prisão.
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