Como esperado e até mesmo anunciado pelo OPINIÃO E NOTÍCIA, o índice de homicídios no Piauí aumentou em 2020. Uma das respostas pode estar na reincidência, ou melhor, no entra e saí de criminosos dos presídios. Ano passado foi surreal, em torno de 900 detentos que estavam em regime semiaberto foram colocados em prisão domiciliar pela Justiça, o chamado "saídão da pandemia".
O que mostram os dados apresentados na manhã desta terça-feira (12) pela Secretaria de Segurança Pública refletem esse momento. De janeiro a dezembro de 2020 foram 711 Mortes Violentas Intencionais (homicídios dolosos), um aumento de 21,12% (taxa por 100 mil habitantes) em relação a 2019, quando foram registrados 587 MVIs. Em Teresina o crescimento foi ainda maior, 24,81% em relação aos 241 homicídios em 2019.
"Estamos analisando as causas e atuamos na consequência. Temos algumas hipóteses para o aumento da criminalidade que, por exemplo, em março a partir da soltura de presos devido a pandemia, nos trouxe um problema de saúde pública que refletiu diretamente na segurança pública. Mas são apenas suposições, não queremos aqui buscar culpados, dentro dessa realidade vamos trabalhar com ações integradas com as instituições federais e municipais”, explicou o secretário de Segurança Rubens Pereira.
Para o Delegado Francisco Costa, o "Baretta", titular do Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoas-DHPP, a grande maioria dos casos envolvem pessoas com passagens pela polícia com facilidade de acesso a armamento. São mortes, que segundo ele, dificilmente poderiam ser evitadas devido a natureza do crime. De fato, os dados mostram que 75,5% dos homicídios cometidos no Piauí tiveram a arma de fogo como instrumento.
"A grande maioria dos que matam e morrem tem envolvimento direto ou indireto com o submundo do crime. Em alguns casos disputada por território e o tráfico de drogas. Em outros é pura rixa, matam por nada. Há 40 anos a gente investigava para encontrar criminoso novo no crime. Hoje em dia é só olhar para as cadeias, são os que já estão nos presídios respondendo a cinco, 10 inquéritos pelos mais diversos crimes", analisa.
Levando em conta que os dados criminológicos do NUEAC-SSP confirmam que 2020 em relação a 2019 houve em Teresina redução de 26,31% no número de latrocínios (roubo seguido de morte), tipo de crime onde o cidadão perde a vida às vezes ao reagir. Tomando por base apenas a capital, que registrou 302 MVIs, em tese é possível perceber que deste total, 223 homicídios, o que corresponde a pouco menos de 80% dos casos, teriam algum envolvimento com a criminalidade.
Outro ponto mostrado foi a redução no feminicídio, 6,9% menor em 2020, quando 27 mulheres foram mortas no âmbito da violência doméstica e família ou pela condição de gênero. Em 2019 foram 29 casos, a maioria no interior do Estado. Para a SSP, apesar de pequena, esta variação reflete também as ações de segurança pública através do botão do pânico do aplicativo Salve Maria, que registrou 883 denúncias e dos 5.374 BOs registrados nas Delegacias Especializadas de Atendimentos a Mulher.
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