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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020 | Wesslley Sales

Liberdade de 900 presos na pandemia não reduziu superlotação e pode aumentar criminalidade no Piauí

No Piauí desde o início da pandemia o sistema carcerário registrou 1.016 casos confirmados de covid-19 com duas mortes

No dia 1 de janeiro os presos libertos na pandemia devem retornar ao sistema penitenciário em meio à possível segunda onda da doença, onde, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça, já foram registrados mais de 60 mil casos em todo o país. Destes, 12.836 servidores infectados e 93 óbitos e 41.971 presos positivados para covid com 129 mortes.

No Piauí  desde o início da pandemia o sistema carcerário registrou 1.016 casos confirmados de covid-19, sendo 197 policiais penais (uma morte)  e 819 presos (uma morte). Deste total, 882 infectados foram recuperados. Em março, a Justiça autorizou a liberdade, sob medidas restritivas como o uso de tornozeleira eletrônica,  de pouco mais de 900 detentos em regime semiaberto para evitar alastrar a pandemia nas penitenciárias estaduais.

Apesar disso o que se vê é que o sistema carcerário continua abarrotado. Atualmente com capacidade para 3 mil vagas existem  4.330 presos, ou seja, uma superlotação de 11% a mais nas celas. Por outro lado, o que se vê nas ruas são crimes sendo cometidos por reincidentes, o que na prática mostra que estão retornando para os presídios sem a menor preocupação em serem vítimas do novo coronavírus.

Não é possível, no entanto, dizer quantos desses 900 detentos beneficiados já foram presos novamente ou quantos estão aguardando retornar para cumprir as penas em regime semiaberto. Na noite de ontem (28) uma ação da Secretaria de Justiça encontrou várias pessoas com tornozeleira eletrônica nas ruas da capital. Os números não foram revelados, mas todos foram encaminhados de volta às suas casas para cumprir as medidas cautelares.

Os números da violência no Piauí ainda estão sendo tabulados, mas se pode antecipar é que houve uma crescente onda de crimes em relação ao ano passado. Se ela tem relação direta com saída de presos provocada pela pandemia, somada a outras ações de liberdade só estudos mais aprofundados irão mostrar. O fato, é que a sociedade se sente insegura, os criminosos estão cada vez mais audaciosos não com a sensação, mas com a real impunidade que alimenta a criminalidade no dia a dia das pequenas, médias e grandes cidades.

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