• 4 de junho de 2026
ÚLTIMAS NOTÍCIAS

domingo, 30 de novembro de 2025 | Wesslley Sales

Após denúncia de mãe de cadeirante, novo relato expõe falhas em transporte e fisioterapia em Bom Princípio do Piauí

Gestão municipal nega descaso e atribui críticas a “cunho político”. Cuidadora de adolescente com deficiência diz que família “mendiga um direito” para conseguir transporte e atendimento: "Essa queixa não tem a ver com política, isso vem de muito tempo"

Depois do desabafo da dona de casa Marli, mostrado pelo OPINIÃO E NOTÍCIA, sobre as dificuldades para garantir transporte, fraldas e acompanhamento para a filha cadeirante, Maria Cecília, de 12 anos, a Prefeitura de Bom Princípio até tentou se justificar afirmando, em nota, que tudo não passa de ações de cunho político e que cumpre com seu papel social.

No entanto, se antes era apenas uma mãe reclamando agora ela recebeu apoio da Presidente da Câmara Municipal, vereadora Noélia Pereira (PSB), que usou as redes sociais para protestar e, agora, o caso ganha de fato conotação mais política. Não apenas isso, outras pessoas se identificaram com o problema e passaram a relatar suas queixas quanto ao atendimento para pessoas com deficiência em Bom Princípio do Piauí. 

“Ontem fui à rádio dar voz a quem há muito tempo vem sendo ignorada. A mãezinha Marli, que cuida sozinha de uma criança especial de 12 anos, dependente, segue sem receber o básico que é garantido por lei: carro para transporte, fraldas e leite. Obrigar uma mãe a carregar a filha no colo dentro de uma ambulância, usada como carona, é desumano. Ambulância é para situações graves, não para substituir a responsabilidade do poder público. É vergonhoso ver uma gestão bonita apenas nas redes sociais, enquanto na vida real falta humanidade, respeito e compromisso. Direitos não são favores”, afirmou Noélia Pereira em seu perfil no Instagram (CONFIRA CLICANDO AQUI).

Um dos comentários foi da jovem em que se identifica como Ana. Ela afirma que vive problema semelhante com a irmã de 15 anos, que também tem deficiência física e mental. O principal gargalo é, novamente, o transporte para tratamento e fisioterapia, e a falta de organização no atendimento.

“Eu cuido da minha irmã de 15 anos que também é portadora de deficiência física e mental, também passamos pelo mesmo problema, principalmente a questão do transporte. No hospital daqui de Bom Princípio tem a fisioterapia, mas a falta de comunicação e organização não permite que minha irmã faça. É desgastante ficar mendigando algo que é um direito”, reclama.

Ela relata ainda que os funcionários são pagos para auxiliar e organizar a logística, mas que, na prática, o retorno é precário.

“Na recepção do próprio hospital a gente não consegue marcar o retorno… ao invés de ser no papel, é por boca. Essa queixa não tem a ver com política, isso vem de muito tempo, só quem está passando sabe como é triste ver uma criança atrofiando e precisando de uma cadeira de rodas nova, que inclusive pra conseguir uma tem que fazer a fisioterapia.”

O novo depoimento se soma ao da mãe de Maria Cecília, que acusa a prefeitura de prometer transporte adequado e benefícios sociais sem cumprir. Marli afirma que a filha faz terapias em Parnaíba, que foi orientada a não usar ambulância e que o carro prometido nunca apareceu nos horários necessários.

Em nota pública, a Prefeitura de Bom Princípio negou qualquer tipo de descaso, disse que as acusações são “tendenciosas” e de “cunho político” e afirmou que a Secretaria de Saúde disponibiliza diariamente van adaptada para pessoas com deficiência, incluindo cadeirantes, para viagens a Parnaíba e Teresina. Segundo a gestão, quem procura a secretaria “é prontamente atendido”, e a assistência social segue as normas do Ministério do Desenvolvimento Social.

Os novos relatos, porém, apontam para um descompasso entre o discurso oficial e a experiência das famílias: de um lado, a prefeitura garante estrutura e transporte; de outro, cuidadoras de adolescentes com deficiência relatam falta de comunicação, burocracia informal e necessidade de insistir repetidas vezes para obter atendimentos que são direitos garantidos em lei.

Com mais de um caso vindo a público, o quadro deixa de parecer um episódio isolado e passa a indicar falhas de organização e acesso no atendimento a pessoas com deficiência no município. Famílias relatam cansaço e desgaste emocional; a prefeitura, por sua vez, continua sustentando que cumpre seu papel e que críticas seriam motivadas por disputas políticas.

Até o momento, não há anúncio de investigação externa, como do Ministério Público, nem de ajustes concretos no sistema de transporte e marcação de consultas. Enquanto isso, mães e irmãs seguem denunciando que, em Bom Princípio, para conseguir um direito básico, ainda é preciso “mendigar”.

MATÉRIA RELACIONADA:

1 - Mãe denuncia descaso da Prefeitura de Bom Princípio e assistência social por abandono de filha cadeirante: “Minha filha fica sempre pra trás”

CONFIRA A NOTA DA PREFEITURA DE BOM PRINCÍPIO:


Deixe sua opinião:

Veja também: