A política de Caxingó ganhou mais um capítulo de desgaste interno após a própria vice-prefeita do município, Jackline do Val Lima de Castro (MDB), acionar o Tribunal de Contas do Estado do Piauí contra a gestão do prefeito Magnum Fernando Cardoso dos Santos (PP). O caso chama atenção porque a denúncia partiu de dentro da própria administração, num claro episódio de fogo amigo que expõe rachadura no grupo governista.
Na representação encaminhada ao TCE, a vice-prefeita aponta suspeitas na execução do Contrato Administrativo nº 01.014/2025, firmado após pregão eletrônico para fornecimento de materiais de construção à Prefeitura.
Entre os problemas relatados por Jackline estão a suposta não entrega total dos materiais contratados, fornecimento fora das especificações previstas, diferença entre o que teria sido pago e o que realmente foi entregue, possível execução parcial ou até inexistente de parte do contrato, além da continuidade de pagamentos mesmo após o encerramento da vigência contratual, em 31 de dezembro de 2025.
A denúncia também cita possíveis danos ao erário, falhas na fiscalização do contrato e eventual prática de improbidade administrativa e ilícitos penais. Diante da gravidade das acusações, a vice-prefeita pediu medida cautelar para suspender pagamentos e resguardar recursos públicos.
Ao analisar o caso, a conselheira relatora Lilian de Almeida Veloso Nunes Martins reconheceu que a denúncia apresenta elementos mínimos para ser apurada e aceitou a abertura do procedimento. No entanto, negou, neste primeiro momento, o pedido de suspensão imediata dos pagamentos.
Segundo a decisão, apesar de existirem indícios que merecem investigação, ainda não há provas suficientes, nesta fase inicial, para uma medida mais dura. O Tribunal entendeu que será necessário aprofundar a análise de documentos como notas fiscais, ordens de fornecimento, comprovantes de entrega e relatórios de fiscalização.
Mesmo sem conceder a cautelar, o TCE determinou a citação do prefeito Magnum Fernando Cardoso dos Santos e da empresa M B de Castro Materiais de Construção para que apresentem explicações formais no prazo de 15 dias úteis.
Na prática, o Tribunal deixou claro que as acusações não foram descartadas. Pelo contrário: considerou o caso sério o bastante para seguir com investigação oficial.
O episódio tem forte peso político. Quando a denúncia parte da oposição, costuma ser tratada como disputa comum. Mas quando vem da vice-prefeita, integrante da própria chapa vencedora, o cenário muda completamente. Isso indica desconfiança interna, rompimento político ou disputa por espaço dentro da administração.
Para a população de Caxingó, o caso acende alerta sobre a condução de contratos públicos e aumenta a pressão por transparência. Agora, caberá ao prefeito e à empresa apresentar documentos que afastem as suspeitas levantadas por quem, até pouco tempo, estava no mesmo palanque.
Vice abre "fogo amigo" contra gestão do Prefeito e leva denúncia ao TCE sobre contrato de material de construção em Caxingó
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