Uma série de análises feitas pelo cientista político Germano Lúcio tem mostrado o cenário atual na disputa proporcional em Teresina. O professor já apontou as dificuldades para os vereadores na busca por partidos que garantam as condições favoráveis para reeleição, uma vez que o quociente eleitoral em 15 mil votos e as mudanças nas regras eleitorais deve tornar acirrada a briga pela preferência do eleitor. (VEJA NO FINAL DA REPORTAGEM).
Sobre a reeleição do Dr. Pessoa (ainda no REP), Germano Lúcio mostrou as dificuldades em função da rejeição apontada por pesquisas realizadas em 2023. Para ele, a disputa pode acabar ainda no primeiro turno. Agora, ele faz um diagnóstico dos principais pré-candidatos ao Palácio da Cidade, Sílvio Mendes (UB), Fábio Novo (PT) e, claro, o próprio Prefeito da capital. A princípio ele respondeu sobre qual desafio para os concorrentes.
“A forma do PSDB governando por 30 anos Teresina. Não era uma relação, lógico a regra do jogo mudou um pouco, só de partido, mas também de lideranças comunitárias. Teresina sempre foi pautada na cooptação dessas lideranças comunitárias, principalmente nos maiores bairros. O que vai definir esse jogo é a capacidade de um candidato majoritário aglutinar no seu entorno o maior número de lideranças possíveis com capilaridade e capital político que seja capaz de fazer, não a transferência, mas, converter esse apoio em votos”, explica.
Mas, claro, não apenas esse trabalho na base das comunidades através das lideranças é fundamental. Germano Lúcio aponta ainda a escolha dos vices e, apesar de não ser uma disputa regionalizada, a imagem de políticos piauienses e nacionais, ou até mesmo como a população vê as administrações no Piauí e no Brasil pode resultar em influência direta. Até o momento, apenas Fábio Novo (PT) tem companheiro de chapa definido, o médico Paulo Márcio (MDB).
“Vai depender também da correlação de forças no entorno e outros nomes que possam aparecer nessa disputa. A aprovação dos governos Rafael Fonteles e Lula pode trazer vantagens ou não para determinados candidatos. Tem que fazer escolha do vice, assim como de quem está no entorno, com muito cuidado. Se pegar o resultado das últimas pesquisas, quando se associa o nome a outros políticos a nível regional ou nacional, determinados nomes caem e outros nomes crescem na intenção de votos. Isso já é uma demonstração de que dependendo de quem você se alie nesta eleição pode trazer pontos positivos ou negativos. Quanto aos vices, candidatos precisam escolher um nome positivo junto a comunidade, quem tem trabalho reconhecido e que seja visto como alguém que vai agregar na gestão que for escolhida para Teresina, com certeza sai um pouco mais na frente”, pontuou.
Sílvio Mendes, apesar de ser o pré-candidato mais bem colocado nas pesquisas realizadas durante o ano de 2023, talvez seja o que deverá enfrentar maiores dificuldades, segundo o cientista político.
“Sílvio Mendes tem o recall da gestão passada, porém esse recall não apareceu na eleição para governador. Em Teresina, ele venceu Rafael Fonteles com apenas 22 mil votos, onde se esperava mais. Outro ponto também é que a gestão do Dr. Pessoa pode ter aberto fissuras em gestões passadas. Dependendo da situação, quem souber trabalhar o nível de comunicação neste sentido, poderá também trazer resultados. Historicamente, quem sai com percentual muito alto e muito cedo, a tendência é de queda e não subir. Sílvio Mendes chegou perto do teto dele. Qual o trabalho que deveria ter? Manter esse teto ou crescer um pouco mais. A margem se torna pequena porque já é muito conhecido. Hoje é muito mais difícil o trabalho de Sílvio Mendes do que de outros candidatos. Ele vai trabalhar a questão técnica, mas também tem fissuras, resquícios das gestões passadas. Não é uma eleição que tá cravada, mas que está muito aberta e pode acontecer muita coisa, inclusive decisão em primeiro turno”, concluiu.
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