• 4 de junho de 2026
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domingo, 26 de abril de 2026 | Wesslley Sales

Justiça cassa prefeita eleita por diferença de 289 votos em Colônia do Gurguéia

Eleição teve quatro candidatos, ficou concentrada entre Lisiane Franco (MDB) e Doquinha (PT), e decisão aponta uso irregular de poços artesianos em propriedades privadas durante a uso clandestino de bens da Codevasf.

A política de Colônia do Gurguéia sofreu um forte abalo após a Justiça Eleitoral cassar os mandatos da prefeita Lisiane Franco Rocha Araújo (MDB) e do vice-prefeito Filipe Rodrigues de Barros Alves (PSD), além de declarar os dois inelegíveis por oito anos. A decisão entendeu que houve abuso de poder político e econômico durante a campanha de 2024, com uso irregular de recursos públicos federais para perfuração de poços artesianos em propriedades privadas de aliados políticos.

O caso ganha ainda mais peso quando se observa o resultado das urnas. A disputa contou com quatro candidatos, mas na prática ficou polarizada entre Lisiane Franco e Doquinha (PT). A diferença entre os dois foi de apenas 289 votos, margem considerada apertada em um município de eleitorado menor. Já o candidato Silzo Bezerra (PODE) somou 1.126 votos e também teve participação importante no cenário eleitoral.

Na sentença, o juiz Thiago Carvalho Martins, da 67ª Zona Eleitoral de Manoel Emídio, concluiu que cinco poços artesianos foram perfurados em imóveis particulares de apoiadores políticos, sem uso comunitário e sem livre acesso da população. Segundo o processo, os locais eram cercados e serviam a propriedades privadas, o que afastaria a finalidade pública exigida para esse tipo de investimento.

A decisão também cita laudo pericial que identificou características ligadas à Codevasf nas estruturas encontradas, como padrão de construção e marcações nas tampas metálicas. Para a Justiça, houve uso clandestino de bens e serviços públicos em benefício eleitoral.

A defesa apresentou documentos tentando justificar as obras por meio de associações locais. No entanto, a sentença afirma que faltaram autorizações ambientais, registros formais, termos de doação publicados e relatórios técnicos exigidos pelas normas legais.

Cada poço teria custo estimado em cerca de R$ 12 mil em dinheiro público federal. Para o magistrado, o conjunto das irregularidades comprometeu a igualdade da disputa, especialmente diante de uma eleição decidida por somente 289 votos.

A decisão ainda determina comunicação ao Ministério Público Federal, à Codevasf e à Secretaria de Meio Ambiente do Piauí para providências cabíveis. Apesar da cassação, ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Eleitoral.

 Justiça cassa prefeita eleita por diferença de 289 votos em Colônia do Gurguéia  


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