Há uma busca das lideranças da direita, de forma especial ligadas ao bolsonarismo, em conseguir um discurso que jogue a população contra as instituições e, consequentemente, a possibilidade de prisão de Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível até 2030 por abuso de poder político. A ideia é tentar colocá-lo como vítima. Nos últimos dias, pelas redes sociais, o próprio ex-Presidente vem divulgando realizações de seu Governo e, claro, críticas a Lula (PT), à Polícia Federal e ao Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Mas, após seu indiciamento pela Polícia Federal por abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de estado e organização criminosa, em uma entrevista, Jair Bolsonaro pede a Alexandre de Moraes e ao Presidente Lula que seja dada anistia, como forma de “pacificação” do país.
“Para nós pacificarmos o Brasil, alguém tem que ceder. Quem tem que ceder? O senhor Alexandre de Moraes. Em 1979, foi anistiada gente que matou, que soltou bomba, que sequestrou, que roubou, que sequestrou avião. Vamos pacificar, zera o jogo daqui para frente. Agora, se tivesse uma palavra do Lula ou do Alexandre de Moraes no tocante à anistia, estava tudo resolvido. Não querem pacificar? Pacifica!. Por favor, repensem, vamos partir para uma anistia, vai ser pacificado”, disse Bolsonaro voltando a tentar desacreditar o inquérito, considerado por ele “peça de ficção”, que o coloca no centro da tentativa de golpe de Estado ao lado de outras 36 pessoas, entre elas os generais Braga Netto e Augusto Heleno.
A resposta do Presidente Lula chegou também em uma entrevista. Para ele, Bolsonaro está se antecipando aos fatos e afirma que deseja a ele ampla defesa e um julgamento justo, mas não vê porque se falar em anistia.
“Como é que alguém começa a pedir anistia antes de ser julgado? O cidadão tá pedindo anistia antecipada. Eu só quero que você tenha a presunção de inocência, que eu não tive. É um direto seu. É um direito da democracia e é isso que eu garanto. Pro meu melhor amigo e meu pior inimigo, o direito de defesa pleno. Mas, tem que ser ouvido. Tem que apagar a bobagem que fez. O que aconteceu é que as instituições assumiram a responsabilidade pela democracia e você agora tá num processo de investigação. Você prestou o primeiro depoimento, vai prestar outro depoimento. Eu sei que quando o cara é covarde ele não fala. E eu sei que ele foi lá e ficou quietinho, com a boca fechada. Porque ele fala bobagem o dia inteiro. Agora, no processo, ele chega lá todo mufino, todo brando, sem querer falar”, disse Lula em um trecho da entrevista.
Jair Bolsonaro pede anistia a Alexandre de Moraes e ao Presidente Lula para "pacificar" o país
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