Barro Duro voltou ao centro de uma crise institucional após o Ministério Público do Piauí abrir procedimento para fiscalizar o cumprimento de medidas impostas ao promotor de Justiça Elói Pereira de Sousa Júnior, filho do prefeito Elói Pereira de Sousa, o Coronel Elói (PSD), que este ano completa 90 anos. O documento deixa claro que ele está proibido de interferir, direta ou indiretamente, em assuntos da administração municipal.
A portaria foi assinada pelo promotor Ari Martins Alves Filho, titular da Comarca de Barro Duro, e informa que a Promotoria local recebeu a missão de acompanhar de perto o caso e comunicar qualquer sinal de descumprimento às instâncias superiores do Ministério Público. O texto relembra que Elói Pereira de Sousa Júnior já recebeu pena administrativa de censura em processo relacionado à usurpação de função pública durante a gestão do próprio pai, que comandou a prefeitura no mandato de 2021 a 2024 e foi reeleito para continuar na gestão até 2028.
Também foi citado que houve um Acordo de Não Persecução Penal homologado pela Justiça, no qual o promotor assumiu compromissos para evitar processo criminal. Entre as condições, estava a proibição de frequentar dependências da Prefeitura de Barro Duro e de intervir em decisões da gestão municipal enquanto o pai estivesse no comando político local. Segundo a nova portaria, esse acordo acabou sendo revogado em 12 de março de 2026, a Subprocuradoria‑Geral de Justiça Jurídica delegou à Promotoria de Barro Duro a missão de vigiar de perto o cumprimento dessas cautelares. A ideia é simples: quem está no dia a dia da cidade consegue perceber melhor qualquer tentativa de atuação política indevida, uma vez que a Justiça entendeu que houve reiteração na participação administrativa do município.
Diante disso, foram mantidas medidas cautelares mais rígidas:
- registro do procedimento administrativo;
- publicação da portaria no Diário Oficial do MPPI;
- envio de ofício, com cópia da portaria, a todos os secretários municipais, prefeito, vice, vereadores, comissionados e servidores com função de confiança de Barro Duro, para que:
- tomem ciência das medidas cautelares;
- se abstenham de interagir com Eloi Júnior sobre temas da prefeitura;
- comuniquem imediatamente à Promotoria qualquer tentativa de interferência do promotor em assuntos municipais;
- envio de cópia ao juiz da comarca, à delegada de polícia e ao comando do GPM de Barro Duro;
- comunicação à Corregedoria‑Geral do MPPI e à Subprocuradoria‑Geral Jurídica.
O próprio Ministério Público destaca no documento que o descumprimento dessas determinações pode levar ao endurecimento das medidas judiciais, inclusive com possibilidade de decretação de prisão preventiva. Ou seja, existe sim um alerta formal sobre esse risco caso haja desobediência.
O caso chama atenção por envolver o filho do prefeito sendo acusado de atuar nos bastidores da própria gestão familiar, situação que elevou a tensão política e jurídica no município. Agora, qualquer novo movimento poderá ter consequências sérias.
Filho do prefeito de Barro Duro entra na mira do Ministério Público e é proibido de voltar a interferir na gestão do Coronel Elói (PSD)
Deixe sua opinião: