• 4 de junho de 2026
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sexta-feira, 6 de março de 2026 | Wesslley Sales

“Estou tranquilo”, diz Ciro Nogueira sobre investigação do Banco Master; deputado afirma que ‘Ciro’ citado em mensagens de Vorcaro é advogado, não o senador

Senador afirma que apoia CPMI do Banco Master e que emenda sobre Fundo Garantidor de Crédito teve base técnica e critica “narrativas fabricadas” após menção ao nome dele em mensagens investigadas pela Polícia Federal

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou estar tranquilo diante das investigações que envolvem o Banco Master e que acabaram citando seu nome em mensagens analisadas pela Polícia Federal. O parlamentar disse que não vê irregularidade em sua atuação e classificou como “narrativas fabricadas” parte das interpretações que surgiram após a divulgação do caso. Sobre uma possível abertura de CPMI do Banco Master afirmou que apoiaria sua instalação.

De acordo com informações divulgadas pelo jornal O Estadão, o deputado federal Fausto Pinato (PP-SP) afirmou que o “Ciro” citado em uma troca de mensagens com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não se refere ao senador piauiense, mas sim ao advogado Ciro Soares.

A conversa foi localizada pela Polícia Federal no celular de Vorcaro durante investigações relacionadas à chamada Operação Compliance. Em uma das mensagens, Pinato escreve: “Oi, amigo, precisamos fazer a videoconferência, eu, você e Ciro”. O empresário responde: “Opa, vamos. Só me chamar”. Dias depois, Vorcaro retoma o contato dizendo: “Fala, amigo. Tudo bem? Vamos falar?”.

Segundo o próprio deputado, a menção seria ao advogado Ciro Soares, que havia sido procurado por representantes do Banco Master para tentar viabilizar uma aproximação institucional relacionada a interesses do banco na China. Na época, Pinato presidia a Frente Parlamentar Brasil-China na Câmara dos Deputados.

O advogado confirmou a versão. Ele afirmou que intermediou o contato porque conhecia o parlamentar e tinha relação profissional anterior com o banco. “Na época, em 2022 ou 2023, o pessoal do Master tinha me pedido uma ajuda porque estava querendo abrir uma extensão na China. O Fausto presidia a Frente Parlamentar Brasil-China e era a única pessoa que eu conhecia que tinha essa representatividade em relação àquele país”, disse.

Soares acrescentou que o projeto acabou não avançando. “Depois o banco perdeu o interesse no assunto da China. O assunto encerrou-se por aí. Fausto é meu amigo, já advoguei para a família dele. Não vejo problema nenhum.”

Apesar da explicação, outras mensagens encontradas pela Polícia Federal mostram o banqueiro Daniel Vorcaro se referindo ao senador Ciro Nogueira como um “grande amigo de vida” em conversas com a namorada. Nos diálogos, ele também menciona encontros com lideranças políticas e autoridades, incluindo o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Ciro diz que atuação no Senado foi técnica

Em entrevista, Ciro Nogueira afirmou que não tem qualquer preocupação com o andamento das investigações e reiterou que sua atuação legislativa segue critérios técnicos e interesse público.

“Existe a verdade e existem as narrativas fabricadas. A verdade é que os interesses do povo brasileiro, em especial do meu estado do Piauí, são os únicos que atendo no meu mandato de senador”, declarou. O senador também comentou uma emenda apresentada por ele que tratava do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo o parlamentar, a proposta buscava atualizar valores que estariam defasados.

“A emenda que apresentei alterando valores do Fundo Garantidor de Crédito foi amparada em fatores técnicos, como a falta de correção inflacionária e comparação com o valor praticado no cenário internacional”, explicou. Ele afirmou ainda que a proposta acabou sendo rejeitada por pressões externas. “Infelizmente, por pressões externas, a emenda foi rejeitada. Isso sim impediu uma medida que beneficiaria aqueles que realmente teriam vantagens: correntistas vítimas de abusos de um banco, como mais uma vez ocorreu no país”, disse.

Mesmo com a repercussão das mensagens encontradas pela Polícia Federal, Ciro Nogueira sustenta que não há irregularidades envolvendo seu nome e afirma manter tranquilidade em relação às investigações. O caso segue sendo apurado pelas autoridades.

 “Estou tranquilo”, diz Ciro Nogueira sobre investigação do Banco Master; deputado afirma que ‘Ciro’ citado em mensagens de Vorcaro é advogado, não o senador  

A nova fase da investigação contra o Banco Master, denominada 3ª fase da Operação Compliance Zero, foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 4 de março de 2026. Os principais alvos de prisão preventiva nesta etapa foram:

Daniel Vorcaro: O banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso em sua residência no Jardim Europa, em São Paulo. Tentativa de obstrução de justiça e indícios de que a organização continuava ocultando recursos (mais de R$ 2,2 bilhões, dinheiro que estaria na conta do pai) mesmo após a primeira soltura de Vorcaro.

Fabiano Zettel: Advogado e cunhado de Vorcaro.

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão (conhecido como "Sicário"): Apontado como responsável por vigilância e monitoramento. Ele foi encontrado desacordado em sua cela na Superintendência da PF em Belo Horizonte após uma tentativa de atentar contra a própria vida. Fontes da Polícia Federal e alguns veículos de imprensa chegaram a confirmar sua morte encefálica na noite de quarta-feira (4/3).  Na manhã desta sexta-feira (6), novas informações indicam que ele permanece internado no CTI do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. O advogado Robson Lucas da Silva contesta a confirmação do óbito pela PF, afirmando que o hospital não abriu protocolo de morte cerebral e que o paciente continua sob monitoramento permanente, embora em estado gravíssimo.

Marilson Roseno da Silva: Policial federal aposentado, suspeito de obter informações sigilosas para o grupo.

Detalhes da Investigação
A operação, autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, investiga uma rede de crimes financeiros e obstrução de justiça, incluindo:
Fraudes Bilionárias: Esquema de venda de títulos de crédito falsos e movimentações irregulares que podem chegar a R$ 22 bilhões.
Práticas Ilícitas: A PF aponta a existência de uma "milícia" para espionagem, ameaças a autoridades, jornalistas e ex-funcionários, além de corrupção de servidores do Banco Central.
Liquidação do Banco: O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 devido a essas irregularidades.
Em fases anteriores (novembro de 2025), outros executivos como André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Henrique Souza Silva Peretto chegaram a ser detidos, mas foram soltos posteriormente.

VEJA NO VÍDEO A ENTREVISTA DE CIRO NOGUEIRA:



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