• 4 de junho de 2026
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sexta-feira, 20 de março de 2026 | Wesslley Sales

Depois de uma CPI que “acabou em pizza”, Câmara Municipal quer levar Águas de Teresina para cobrar explicações

NOVA COBRANÇA OU MAIS DO MESMO?: A convocação é proposta pelo vereador Dudu Borges (PT). “Não adianta fazer reunião, audiência, CPI e no fim das contas nada mudar. O povo quer solução, não quer só discurso”.

Mesmo após meses de investigação, debates acalorados e promessas de rigor, a novela envolvendo a Águas de Teresina ganha mais um capítulo — e com um gosto amargo para quem esperava mudanças reais. Agora, a Câmara Municipal de Teresina quer, mais uma vez, chamar a empresa para dar explicações, reacendendo um debate que parecia ter sido encerrado sem grandes consequências.

Quem puxa esse novo movimento é o vereador Dudu Borges, que tem sido uma das vozes mais críticas em relação à atuação da concessionária. Para ele, a pressão precisa continuar porque os problemas seguem os mesmos — ou até piores.

“A gente não pode tratar como normal o que a população vive todo dia. Falta d’água, conta cara e serviço que deixa a desejar. A empresa precisa vir aqui e explicar isso olhando nos olhos da população. Estão cobrando pela ligação da rede de esgoto de forma irregular, uma taxa que a gente entende como ilegal, porque o consumidor já paga pelo serviço e mesmo assim é surpreendido com essa cobrança”, disse o parlamentar.

O discurso é direto e reflete o sentimento de muitos moradores da capital, que continuam enfrentando dificuldades no abastecimento e questionando os valores cobrados. Para Dudu, não basta apenas discutir: é preciso cobrar resultado.

“Não adianta fazer reunião, audiência, CPI e no fim das contas nada mudar. O povo quer solução, não quer só discurso”, reforçou.

CPI DA ÁGUAS: MUITO BARULHO, POUCO RESULTADO

Criada com a promessa de investigar a fundo a atuação da concessionária, a CPI da Águas de Teresina mobilizou a Câmara e gerou grande expectativa na população. Foram ouvidos representantes da empresa, técnicos, autoridades e consumidores que relataram problemas no dia a dia.

Entre as principais denúncias estavam:

  • Falta constante de água em bairros;

  • Cobranças consideradas abusivas;

  • Obras mal executadas ou demoradas;

  • Atendimento precário ao consumidor.

Apesar disso, o desfecho da comissão frustrou parte dos vereadores e da população. Não houve medidas mais duras, como pedido de rompimento de contrato ou responsabilizações diretas. O resultado final acabou sendo visto como tímido diante da gravidade das reclamações.

Nos bastidores, o sentimento foi de que a CPI perdeu força ao longo do caminho — e terminou sem o impacto esperado.

NOVA COBRANÇA OU MAIS DO MESMO?

Agora, com a proposta de convocar novamente a empresa, surge a dúvida: será que dessa vez algo realmente muda?

Para Dudu Borges, a resposta depende da postura da própria Câmara. Segundo ele, é preciso sair do campo das discussões e partir para uma fiscalização mais firme.

“A Câmara tem o dever de fiscalizar. Se o contrato não está sendo cumprido como deveria, isso precisa ser enfrentado com seriedade. Não dá pra empurrar com a barriga”, afirmou.

Enquanto isso, a população segue no meio desse impasse — entre promessas, investigações e cobranças que ainda não se traduziram, na prática, em melhoria significativa no serviço.

No fim, fica a pergunta que ecoa nas ruas de Teresina: quantas vezes ainda será preciso chamar a empresa para explicar o que já é sentido todos os dias pela população?

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