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sexta-feira, 5 de agosto de 2022 | Wesslley Sales

Alternativas as precificações de pães e massas

Fatores externos como a desvalorização cambial do real frente ao dólar influenciaram no aumento do custo dos aditivos agrícolas e fertilizantes.

Em 2022, as cotações da tonelada de trigo atingiram preços médios históricos desde 2004, segundo dados da ESALQ/CEPEA[1] coletados no Paraná, segundo maior produtor de trigo do Brasil em 2021 [2]. Atingindo a máxima histórica de R$ 2.210, 62 da tonelada de trigo neste ano. Muitos irão dizer que isto se deve a guerra russo-ucraniana, porém há vários fatores. 

Gráfico 01: CEPEA/ESALQ 

Como pode se observar no gráfico o preço médio da tonelada de trigo no Paraná cresceu constantemente no intervalo de quatro anos. Ou seja, antes da guerra russo-ucraniana, já havia tendência de alta na cotação do trigo. 

Segundo o Sinditrigo, em 2021, o custo de produção aumentou 45%  no estado de Santa Catarina para safra daquele ano [3]. No Paraná o custo operacional aumentou 40% em relação a maio de 2020 [4].

Um dos fatores se deve ao custo operacional do trigo ter subido ano após ano. Fatores externos como a desvalorização cambial do real frente ao dólar influenciaram no aumento do custo dos aditivos agrícolas, fertilizantes e maquinário e ainda a cotação internacional do trigo que torna mais vantajoso ao produtor exportá-lo. Neste ano, as exportações de trigo aumentaram 100% em relação ao ano anterior [5]. Foram exportados 2,47 milhões de toneladas de trigo! sic. Mesmo o nosso país só produzindo metade da safra necessária para atendimento da demanda interna brasileira. Em 2021, o Brasil importou 6,2 milhões de toneladas de trigo. Claro que trigo importado será mais caro ao consumidor final.

Como a farinha de trigo é um dos ingredientes para pães, massas e produtos alimentícios, se verificará aumento de preços nas principais capitais do país no médio prazo. Segundo a ABIP (Associação Brasileira da Indústria da Panificação) a alta do preço do trigo afetará a mesa dos brasileiros [6]. A mesma associação anunciou a CNN, que o preço variou entre 12 a 20% [7]

Percebe-se, portanto distorções na Cadeia produtiva do Trigo, cujo influenciará significamente no preço médio de pães e massas e produtos industrializados a base de trigo [8]. Portanto podemos classificar a inflação do preço do pão, massas e produtos à base de trigo como inflação estrutural e de oferta. Que ainda provocará reduflação nos pães, massas e produtos industrializados.  Por exemplo, já notei em algumas padarias de Teresina, que foi reduzido o tamanho do pão massa grossa ou pão baia. Nota-se o mesmo com o tamanho de alguns bolos. Quando o consumidor se dirige a padaria e nota que o pão e o bolo está menor, mas o preço se mantém, saiba, aquilo será reduflação. Sugiro ao leitor que observe o tamanho dos pães e bolos nas padarias e aprenda a perceber a reduflação.  Até para estimular a defesa dos direitos do consumidor. Haja vista que os consumidores devem ser avisados sobre as mudanças na unidade de massa e volume dos produtos.

Infelizmente, no primeiro semestre de 2022, as medidas governamentais foram dirigidas apenas para combate a inflação de preços dos combustíveis. Contudo, a inflação de preços do trigo necessita de maior atenção das autoridades. Ações são necessárias por que o preço médio do trigo apresenta tendência de alta nos próximos meses.

Creio que a primeira medida que precisa ser feita será busca por alternativas ao fabrico de pães e massas. O sorgo e a mandioca serão excelentes opções. Daí a necessidade de fortalecimento da cadeia produtiva do sorgo e da mandioca para o fabrico de farinha. 

Há vinte anos atrás, sim, vinte anos atrás foi protocolado o Projeto de Lei 4679/01 de autoria do ex-deputado federal Aldo Rebelo [9], porém ficou na gaveta até agora. Essa PL havia a proposta que obrigaria a mistura da farinha de mandioca com a farinha de trigo.

É emergente o combate a inflação de pães e massas, pois o café do brasileiro está mais caro. Poderia ser aprovado PL no Congresso Nacional que fortalece a Cadeia produtiva do trigo, da mandioca e do Sorgo. Diversificando a oferta de farinha para compensar a escassez de farinha de trigo no mercado brasileiro. Estabilizando os preços dos pães e massas.

Sigamos o exemplo do Camarões cujo estimula o fortalecimento da cadeia produtiva de Mandioca, também chamada de yuca [10]. 

Eis as vantagens do fortalecimento de cadeias produtivas para o fabrico de farinha de pães e massas. Considerando o encerramento na cotação do dia 28 de julho de 2022. O preço da saca de 60 kg do sorgo variou entre R$ 50,00  a R$ 67,00 [11];  Por sua vez o preço da saca do trigo custou entre R$ 108,00 a R$ 113,00 [12]; Se considerarmos o preço da tonelada de mandioca e de trigo, a diferença é absurda. Enquanto a tonelada de mandioca custou entre R$ 420 a R$ 920,00 [13], a tonelada de trigo custou entre R$ 2.094,55 a 2.137,99 [14]. Em outro artigo podemos discutir as vantagens do fortalecimento das cadeias produtivas do sorgo e da mandioca.

O que falta nesse momento será regulação para o incentivo e fortalecimento das cadeias de produção de mandioca e sorgo destinados ao fabrico de pães, massas e produtos industrializados. Ao mesmo tempo se deve estabelecer medidas que fortaleçam a produção de trigo no país, bem como impor medidas de cotas de exportação. Considero irresponsável permitir exportação de trigo se há desabastecimento! O seguro safra deve ser condicionado ao abastecimento do Mercado Interno brasileiro. 


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