A Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) aprovou nesta terça-feira (16) a alteração do contrato de empréstimo firmado pelo Governo do Estado com o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), que passa a ser contabilizado em iene japonês no lugar do dólar americano. O valor da operação, autorizado pela Lei 8.964/25, é de US$ 392 milhões. Segundo o Executivo, a mudança foi embasada em análises técnicas que apontam maior vantagem econômica e financeira no longo prazo, já que a moeda japonesa apresenta menor volatilidade cambial e juros mais estáveis, atrelados à taxa TONA, atualmente bem inferiores aos praticados nos EUA.
Em nota ao OPINIÃO E NOTÍCIA, a Secretaria de Fazenda confirmou que há vantagens para o Piauí com essa troca de moeda, entre elas, a economia de R$ 4.5 bilhões. A justificativa é de que os juros americanos permanecem elevados (em torno de 4,4% ao ano, pela taxa SOFR), enquanto o Japão mantém taxas bem menores, atualmente próximas a 0,5% ao ano, indexadas à taxa TONAR.
Apesar disso, a proposta não passou sem críticas. O deputado Gustavo Neiva (PP) votou contra e questionou o excesso de empréstimos, destacando que a dívida estadual cresceu significativamente nos últimos anos. “Em 2017, o Piauí era o 18º mais endividado. Hoje já somos o 6º e, se descontarmos os estados em recuperação fiscal, somos o 3º. O Governo só pensa em pegar empréstimo”, disse. Em resposta, o líder governista, deputado Dr. Vinícius (PT), afirmou que a situação fiscal do Estado é saudável e está longe do limite de endividamento definido pela União. “O teto permitido é de 200%. O Piauí está em 60,87%, bem abaixo do limite. O Tesouro Nacional reconhece que nossa situação fiscal é equilibrada”, rebateu.
TAXAÇÃO DE TRUMP NO PIAUÍ E A TROCA DE MOEDA
O Piauí, maior exportador de mel do Brasil, sentiu diretamente os efeitos da sobretaxa de 50% imposta pelo governo Donald Trump sobre produtos brasileiros. O estado, que tem no mercado norte-americano o destino de quase toda a sua produção, viu contratos travados e embarques retidos. Só em 2024, o Piauí exportou US$ 22,4 milhões em mel natural para os Estados Unidos, representando 87% de todo o volume do produto. Essa dependência escancarou a vulnerabilidade do setor, que registrou prejuízos imediatos: a Casa Apis, maior cooperativa do semiárido piauiense, teve cerca de 95 toneladas de mel avaliadas em R$ 12 milhões paradas no Porto do Pecém, enquanto outras 152 toneladas deixaram de ser exportadas em apenas 15 dias, gerando perdas acima de R$ 2,5 milhões.
Esse cenário de instabilidade econômica e política, provocado por decisões externas, guarda semelhança com a medida do Governo do Piauí de renegociar sua dívida com o Banco Mundial, trocando a referência em dólar pelo iene japonês. Enquanto os juros americanos seguem elevados, a mudança para a taxa japonesa reduz custos e pode gerar economia. Assim como os apicultores buscam alternativas para não depender apenas dos EUA, o Estado procura diversificar sua exposição financeira, blindando-se contra a volatilidade da economia americana. Nos dois casos, a estratégia é clara: diminuir a dependência externa e construir maior segurança para o futuro da economia piauiense.
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