A política em Pedro II está pegando fogo e misturando passado e presente em um mesmo enredo. De um lado, uma decisão do Tribunal de Contas escancara falhas graves na gestão da Câmara Municipal em 2024. Do outro, uma sequência de contratos milionários assinados já em 2026 levanta debate sobre como o dinheiro público está sendo usado. No meio disso tudo, um detalhe chama atenção: o ex-presidente da Câmara, alvo da denúncia, hoje ocupa o cargo de vice-prefeito.
O Tribunal de Contas considerou procedente a denúncia contra Carlos José de Oliveira Santos, que presidia a Câmara de Pedro II. O problema foi o não repasse de R$ 231.771,56 descontados dos salários dos vereadores para a Receita Federal dentro do prazo. Dinheiro que foi retido, mas não chegou ao destino certo no tempo devido, como mostrado pelo OPINIÃO E NOTÍCIA. (VEJA A REPORTAGEM CLICANDO AQUI)
Hoje, Carlos José está em outra posição. É o atual vice-prefeito do município. E, diante da repercussão, tentou justificar a situação jogando a responsabilidade para a Prefeitura, comandada por Betinha Brandão (PP). Mas o próprio Tribunal deixou claro que a obrigação de controlar e repassar os valores era da Câmara, ou seja, da gestão que ele comandava na época.
Enquanto essa situação ainda repercute, outro ponto chama atenção na cidade: o volume de dinheiro movimentado pela atual gestão em poucos meses.
Entre janeiro e abril de 2026, a Prefeitura de Pedro II já fechou mais de R$ 4.181.169,45 em contratos, a maioria sem licitação, por meio de inexigibilidade. Foram 10 contratos no total, com dinheiro espalhado em várias áreas.
A maior parte foi para a saúde, com R$ 2.293.616,45. Só um contrato, com a empresa D e L Serviços Médicos Especializados, levou R$ 1.499.826,45 para mutirões, consultas e atendimentos.
Ainda na saúde, foram mais R$ 494.450,00 com a Clínica Batista Peggy Pemble para sessões terapêuticas e R$ 299.340,00 com a Santa Helena Saúde para exames de imagem.
Na educação, o total chega a R$ 1.142.097,00. Desse valor, R$ 870.600,00 foram para compra de livros da coleção Trilha Sistema de Ensino, e R$ 271.497,00 para materiais da coleção “Eu, Você e o Outro”.
Outros contratos também chamam atenção. Foram R$ 250.000,00 para show da banda Fernandinha e R$ 220.000,00 para a banda Patchank no carnaval. Teve ainda R$ 180.000,00 para a construção de uma imagem de Nossa Senhora com 14 metros de altura.
Na área de projetos e estrutura, mais R$ 70.956,00 foram para serviços de engenharia, além de R$ 24.500,00 para um planetário móvel durante o Festival de Inverno.
Somando tudo, o valor ultrapassa os R$ 4,1 milhões em apenas quatro meses.
Não se está afirmando que há irregularidades nos contratos. Mas, o que se vê em Pedro II hoje é um cenário político movimentado. De um lado, um passado que cobra explicações. Do outro, um presente que também está sendo observado de perto.
Ex-presidente da Câmara é multado por irregularidades e tenta culpar prefeitura de Pedro II
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