• 4 de junho de 2026
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quarta-feira, 26 de março de 2025 | Wesslley Sales

Trump propõe mudanças no sistema eleitoral americano e cita o Brasil como exemplo, na contramão da ala bolsonarista

A direita global parece seguir um roteiro conhecido, onde a democracia é questionada sempre que o resultado não favorece seus interesses.

O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, assinou um decreto nesta terça-feira (25) que propõe mudanças no sistema eleitoral americano, exigindo que eleitores comprovem a cidadania para votar. A medida busca evitar, segundo ele, a interferência de estrangeiros nas eleições. Para justificar a decisão, Trump citou o Brasil e a Índia como referências pelo uso da biometria, destacando que os EUA ainda dependem amplamente da autodeclaração de cidadania. O decreto prevê que órgãos federais compartilhem bancos de dados com os estados para reforçar a segurança do processo eleitoral.

Curiosamente, enquanto Trump elogia nosso sistema eleitoral, Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados passaram anos tentando descredibilizar as urnas eletrônicas, espalhando fake news sobre fraudes e ataques de hackers, sem apresentar provas. O próprio relatório das Forças Armadas, em novembro de 2022, confirmou a confiabilidade do sistema eleitoral. No entanto, a estratégia bolsonarista seguiu adiante e começou a fazer vítimas, entre elas a deputada federal Carla Zambelli (PL) que está inelegível por falsas informações e ataques ao sistema eleitoral brasileiro.  O próprio ex-Presidente da República também está inelegível e, mantém a esperança do Congresso aprovar uma anistia para disputar com Lula (PT) em 2026. Enquanto isso, enfrenta julgamento no Supremo Tribunal Federal que pode decidir nesta quarta-feira (26) se ele e outros sete aliados serão declarados réus no processo de tentativa de golpe de estado.

O discurso de Trump reflete uma contradição interessante: por um lado, adota medidas semelhantes às do Brasil para tornar as eleições mais seguras nos EUA, enquanto, por outro, seus aliados brasileiros insistem em minar a confiança no próprio modelo que ele considera eficiente. A direita global parece seguir um roteiro conhecido, onde a democracia é questionada sempre que o resultado não favorece seus interesses.


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