• 4 de junho de 2026
ÚLTIMAS NOTÍCIAS

sábado, 25 de abril de 2026 | Wesslley Sales

Soraya Thronicke e Rachel Sheherazade erram ao querer enquadrar a Palavra de Deus nos modismos do mundo moderno

Críticas a Frei Gilson expõem tentativa de submeter ensinamentos cristãos a discursos passageiros, ignorando que o Evangelho não muda conforme tendências da época e não depende de aplausos para continuar sendo verdade.

A recente polêmica envolvendo Frei Gilson ganhou novos capítulos após críticas públicas feitas pela senadora Soraya Thronicke e pela jornalista Rachel Sheherazade. As manifestações ampliaram o debate sobre os limites entre liberdade religiosa, interpretação bíblica e pressão cultural sobre líderes cristãos. No centro da discussão permanece uma pergunta antiga: a fé deve se adaptar ao pensamento dominante de cada época ou permanecer fiel aos seus fundamentos?

No caso de Frei Gilson, o que se vê não é a defesa de uma tese pessoal nem a criação de um discurso isolado. Suas falas seguem ensinamentos tradicionais da Igreja Católica, baseados na Bíblia, na Tradição e no Magistério. Para a fé católica, a Revelação divina não muda conforme o clima político, a opinião pública ou tendências culturais passageiras. A Escritura afirma que “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e por toda a eternidade”. Para o cristão, isso significa que a verdade anunciada por Cristo não envelhece e não depende de aplausos para continuar sendo verdade.

As críticas de Soraya Thronicke e Rachel Sheherazade surgiram dentro desse contexto. Ambas questionaram posicionamentos do frei ligados a temas morais e ao papel do homem e da mulher dentro da visão cristã. O ponto central das reações foi a acusação de que esse tipo de pregação representaria retrocesso ou visão incompatível com a sociedade atual. Aqui dois problemas. O primeiro os tais "recortes" de vídeos que são utilizados para desinformar, viralizar e garantir likes com polêmicas. 

Assim, surge o segundo problema. A má interpretação do que foi dito. Mas essa leitura ignora um aspecto fundamental: um sacerdote católico não fala a partir de preferências pessoais, e sim de uma doutrina consolidada ao longo de séculos. Quando aborda casamento, família, moral cristã ou vocação feminina e masculina, ele transmite aquilo que a Igreja sempre ensinou. Discordar é legítimo. Tentar apresentar isso como escândalo ou extremismo já é outra questão.

Também é preciso desconstruir acusações de misoginia e preconceito lançadas contra esse tipo de pregação. Defender diferenças naturais entre homem e mulher, reconhecer papéis complementares dentro da família ou valorizar a maternidade e a paternidade não significa desprezar mulheres. Misoginia é ódio, humilhação ou desvalorização feminina. Nada disso aparece quando a doutrina cristã afirma a igual dignidade entre os sexos e o chamado de ambos ao amor, ao respeito e à responsabilidade. Confundir discordância ideológica com opressão virou hábito em parte do debate público.

Esse é o maior absurdo. Em suas pregações sobre o tema, Frei Gilson já deixou claro que não há superioridade do homem sobre a mulher. Ao contrário. Fez referência ao fato de Eva nascer da costela de Adão (Gênesis 2, 21-23) e trazer a teologia para mostrar essa igualdade. A doutrina católica, interpreta essa passagem como símbolo de que a mulher é igual ao homem ("osso dos meus ossos"), criada para companheirismo e unidade, e não para ser inferior ou superior. A

Um dos temas mais atacados foi a referência bíblica à mulher como “auxiliadora”. Para muitos críticos, a palavra seria ofensiva ou sinal de inferioridade. No entanto, a própria exegese cristã mostra o contrário. No texto original do Gênesis, o termo utilizado é “Ezer”, palavra também usada para designar o auxílio dado por Deus ao seu povo. Não existe ali sentido de submissão humilhante, mas de parceria essencial, força e complementaridade.

Na visão cristã, homem e mulher têm igual dignidade diante de Deus, porém missões distintas que se completam. O homem é chamado à responsabilidade, proteção e amor sacrificial. A mulher é chamada à cooperação, sabedoria e edificação do lar. Não se trata de disputa de poder, mas de serviço mútuo. Essa compreensão pode desagradar parte do mundo moderno, mas continua sendo doutrina cristã.

Também é preciso lembrar que a missão de um religioso nunca foi repetir o discurso dominante do momento. Padre, pastor ou frei existem para anunciar princípios espirituais, mesmo quando eles contrariam o pensamento popular. Se toda pregação dependesse da aprovação das redes sociais ou da classe política, a fé deixaria de ser fé e viraria apenas opinião ajustada ao ambiente.

As críticas da senadora e da jornalista mostram justamente esse conflito entre duas lógicas diferentes. De um lado, a visão contemporânea que exige adaptação total aos valores do presente. De outro, a tradição religiosa que preserva convicções recebidas ao longo do tempo. O choque é inevitável.

Rotular a fala de um sacerdote como atrasada ou revoltante por repetir ensinamentos bíblicos revela, muitas vezes, a tentativa de colocar o sagrado sob julgamento permanente das tendências do mundo. Mas para o fiel cristão, a verdade não nasce de votação, nem muda porque se tornou impopular.

Frei Gilson segue sua missão dentro daquilo que a Igreja ensina. E toda vez que alguém decide permanecer firme em princípios antigos, especialmente em tempos de tanta mudança, surgirão críticas. A questão é simples: nem toda reprovação pública significa erro. Às vezes, significa apenas fidelidade.

Deixe sua opinião:

Veja também: