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sábado, 1 de maio de 2021 | Wesslley Sales

Se Renan Calheiros não é imparcial dificilmente algum Senador da CPI da Covid o seja

Na prática o que se desenha é uma disputa política que se torna explícita a cada dia e com tendência a piorar.

Instalada no início desta semana após muito bate boca e troca de acusações a CPI da Covid no Senado será alvo de muitas polêmicas até sua conclusão. Mas, rende ainda a relatoria nas mãos do Senador Renan Calheiros (MDB-AL). Criticado pela base aliada do Governo Bolsonaro, o parlamentar é reconhecido como de oposição e, por isso, não seria imparcial para o cargo mais importante da Comissão que investigará as ações de combate à pandemia executadas pelos governos Federal, estaduais e municipais.

Antes da confirmação dos membros da Comissão, a tropa de choque bolsonarista foi à luta. A Deputada Federal Karla Zambelli (PSL-SP) conseguiu uma liminar que impedia Renan Calheiros de assumir a relatoria, derrubada em seguida pelo TRF 1. O Senador Ciro Nogueira (PP-PI) tentou uma manobra no início dos trabalhos para suspender a CPI sob alegação de irregularidades na formação dos 11 titulares. Foi voto vencido. 

Nesta quinta-feira (29) o Supremo Tribunal Federal, através do Ministro Ricardo Lewandowski, rejeitou afastamento de Renan Calheiros da relatoria, pedido protocolado pelos Senadores Jorginho Mello (PL-SC), Marcos Rogério (DEM-RO) e Eduardo Girão (Podemos-CE). Os Senadores alegaram que por ser pai do Governador Renan Filho, Governador de Alagoas e um dos investigados na CPI, Calheiros não teria isenção. 

Na prática o que se desenha é uma disputa política que se torna explícita a cada dia e com tendência a piorar. Além disso, o Governo mostrou falta de articulação e, a fórceps, teve que engolir a instalação da CPI com a nomeação de desafetos para os cargos mais importantes. 

Mas, os membros da CPI da Covid são ou não “independentes” e “imparciais” suficientes para analisar tecnicamente e sem paixões o enfrentamento à pandemia por municípios, estados e União? Não estariam todos, de certo modo, com pé da oposição ou na base do Governo Bolsonaro? É o que vamos tentar descobrir a partir de agora.

Pelo menos cinco senadores se dizem INDEPENDENTES, mas CRÍTICOS DE BOLSONARO:

1 - Omar Aziz (PSD-AM), Presidente da CPI, fez duras críticas a atuação do Governo Federal durante o colapso em Manaus;

2 - Eduardo Braga (MDB-AM), que é líder do MDB no Senado, foi Ministro de Minas e Energia no Governo Dilma Rousseff. Assim como Aziz, criticou a gestão do Ministério da Saúde e do Governo Federal em Manaus;

3 – Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, até se diz independente, mas é contundente nas críticas diretas ao Presidente Jair Bolsonaro e, por diversas vezes, deu tom de oposição ao comentar ações do Governo no combate á pandemia. Caberá a ele apontar em seu parecer apontar possíveis crimes e culpados, com pedido de indiciamento. 

4 - Tasso Jereissati (PSDB-CE) é outro que se diz independente. No entanto, não poupou o Governo Federal de críticas em relação ao tratamento precoce e o colapso em Manaus.

5 - Otto Alencar (PSD-BA) também coloca-se como independente, mas faz críticas à atuação do Governo Federal, além de não poupar prefeitos e governadores por “falhas” na pandemia. O senador seria próximo ao ex-Presidente Lula.

Outros dois parlamentares são OPOSIÇÃO ao Governo BOLSONARO:

6 - Randolfe Rodrigues (Rede-AP),é o vice-Presidente da CPI da Covid. Já era desafeto de Bolsonaro desde a Câmara Federal. É um dos maiores críticos ao Governo no parlamento.

7 - Humberto Costa (PT-PE) é ideologicamente contra o Presidente Bolsonaro. Faz duras críticas à gestão do Governo desde o início da pandemia, como nas “recomendações” a uso de medicamentos não comprovados cientificamente.

Quatro senadores também se dizem INDEPENDENTES, porém estão NA BASE DE BOLSONARO:

8 - Ciro Nogueira (PP-PI) é líder do Centrão e presidente nacional do Progressistas, com indicações no primeiro escalão do Governo.Aliado de todos os últimos governos, de Lula a Temer e agora com Bolsonaro após romper com o Governador do Piauí, Wellington Dias (PT). Entende que houve falhas na gestão do Governo Federal em alguns pontos do combate á pandemia e foi um dos articulares para que a CPI também incluísse estados e municípios.

9 - Eduardo Girão (Podemos-CE) defende bandeiras do Presidente Jair Bolsonaro, como tratamento precoce, Também foi um dos articuladores para incluir na CPI investigação sobre recursos federais destinados a prefeitos e governadores. O senador foi ao STF para barrar indicação de Renan Calheiros para relatoria da Comissão e tentou ser o Presidente da CPI.

10 - Marcos Rogério (DEM-RO) é um dos senadores próximos ao Presidente. Chegou a fazer viagens na comitiva de Jair Bolsonaro. Segue na mesma linha de Girão e Ciro, defendendo que a CPI também investigue prefeitos e governadores.

11 - Jorginho Mello (PL-SC) é o vice-líder do Governo e, claro, seu partido está na base de apoio de Bolsonaro. Também já fez parte da comitiva presidencial em viagens e defendeu o uso de medicamentos do chamado tratamento precoce, mesmo sem comprovação científica.

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