• 4 de junho de 2026
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025 | Wesslley Sales

Sai Sabino, entra Damião: o União Brasil troca o ministro, mas não larga o governo Lula

Troca de ministro expõe que, apesar do discurso de desembarque, União Brasil continua ocupando espaço no Planalto com as bençãos de Rueda.

O episódio envolvendo a saída de Celso Sabino do Ministério do Turismo e a indicação de um novo nome do União Brasil para o cargo escancara, mais uma vez, uma prática recorrente da política brasileira: o fisiologismo travestido de estratégia partidária. A narrativa oficial tenta sustentar decisões com base em alinhamento político ou reposicionamento ideológico, mas os fatos apontam para um enredo bem mais pragmático — e antigo — do chamado toma lá, dá cá.

Celso Sabino não foi afastado do ministério por divergências programáticas com o governo Lula, tampouco por mudança de rumo ideológico do União Brasil. Ele foi expulso do partido justamente por se recusar a abandonar o cargo após a legenda anunciar, formalmente, o desembarque do governo. Ou seja, o problema não era a permanência no governo em si, mas o fato de Sabino não ter seguido a orientação da cúpula partidária. A punição foi política, não ideológica.

O que torna o episódio ainda mais revelador é o desfecho. Logo após expulsar o ministro sob o argumento de infidelidade partidária, o União Brasil bateu à porta do Planalto para reivindicar… o mesmo ministério. E foi atendido. A indicação de Gustavo Damião, filho do deputado federal Damião Feliciano, com aval da direção nacional do partido, evidencia que o rompimento anunciado anteriormente tinha limites muito claros: o limite do acesso ao poder e aos cargos.

Nesse contexto, a ideologia aparece apenas como retórica conveniente. O União Brasil, que havia anunciado o desembarque do governo Lula, não demonstrou qualquer constrangimento em negociar a manutenção de um espaço estratégico na Esplanada dos Ministérios. A troca de nomes não alterou a lógica da ocupação do cargo, apenas ajustou o arranjo interno do partido, preservando interesses e acomodando lideranças.

Do lado do governo, o movimento também é sintomático. Ao aceitar a substituição e ainda reforçar o gesto como um aceno a segmentos específicos do eleitorado, como o público evangélico, o Planalto reforça uma lógica de governabilidade baseada mais na aritmética do Congresso do que em coerência política. O diálogo com diferentes bancadas é legítimo em qualquer democracia, mas quando ele se dá exclusivamente por meio da distribuição de cargos, o debate programático fica em segundo plano.

O caso Sabino-União Brasil ilustra com precisão como a política do toma lá, dá cá opera de forma transversal, indiferente a rótulos ideológicos. Não se trata de direita ou esquerda, governo ou oposição, mas de acesso, influência e poder. Partidos anunciam desembarques, expulsam filiados, fazem discursos duros — e, nos bastidores, renegociam posições como se nada tivesse acontecido.

No fim, quem perde é a credibilidade do sistema político. Quando decisões são justificadas publicamente por princípios que não resistem ao primeiro teste de conveniência, o eleitor percebe que a ideologia serve mais como ferramenta de comunicação do que como norte de ação. O episódio do Ministério do Turismo não é um desvio de rota; é apenas mais um capítulo de uma prática que segue firme, independente do governo ou da sigla de ocasião.

 Sai Sabino, entra Damião: o União Brasil troca o ministro, mas não larga o governo Lula  


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