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terça-feira, 1 de outubro de 2024 | Wesslley Sales

Rejeitar ou buscar apoio: Nacionalizar disputa municipal sempre existiu e não acontece só no Piauí

Apesar de 25% do eleitorado se colocar à direita e 14% que se diz de esquerda, colar a imagem de Bolsonaro é evitado pelos candidatos no Piauí.

Desde a pré-campanha grupos políticos se dedicam a mostrar que tem apoio de lideranças nacionais e regionais, enquanto outros preferem evitar o que chama de nacionalização da disputa municipal. É a estratégia de cada um para conquistar o eleitor. No entanto, essa não é uma característica de Teresina e do Piauí. 

São Paulo, por exemplo, e intensa a queda de braço entre os candidatos a Prefeito Pablo Marçal (PRTB) e Ricardo Nunes (MDB) pelo apoio do ex-Presidente Jair Bolsonaro (PL), coisa que no Piauí a grande maioria dos candidatos, mesmo apoiados pelo bolsonarista Ciro Nogueira (PP), rejeitam. O próprio Senador afirmou em entrevista a revista Valor Econômico: "Eu estou um pouco ausente da capital para não puxar essa rejeição do Bolsonaro. Eu nacionalizo a campanha. Isso é ruim para a eleição da gente, porque tem o Lula, e, ao colar o Bolsonaro no Sílvio, eu o prejudicaria". Enquanto isso, o candidato Fábio Novo (PT) não perde oportunidade de falar em gestão integrada, caso eleito, com Lula e o Governador Rafael Fonteles.

Mas, pesquisa Instituto DataSenado intitulada “Panorama Político”, mostra que no Piauí o eleitorado não se considera ideologicamente dividido entre esquerda e direita. Traduzindo isso em números, o levantamento aponta que 14% (366.381 dos eleitores piauienses) se declaram de esquerda, enquanto 25% (645.965) se diz de direita e 7% (176.312 ) identificados no especto político de centro.

Como se vê, apesar do espectro político da direita ter mais simpatizantes, o Piauí foi o estado que proporcionalmente deu a esquerda de Lula (PT) a maioria no país para Presidente do Brasil, com 76,84% dos votos válidos, ou seja, conquistou mais de 1.518 milhões de eleitores contra 406.897 (19%) que preferiram Bolsonaro (PL). O petista venceu em todos os 224 municípios. 

Esta característica piauiense, independente de lados, fazem balançar as estratégias, rejeitando apoio, como por exemplo do ex-Presidente Jair Bolsonaro (PL). Para o cientista político Germano Lúcio o eleitorado piauiense é focado mais na pessoa do candidato do que em partido político ou ideologia que ele represente. 

"Isso não apenas no Piauí. O que a gente percebe é que o eleitorado brasileiro e, claro, incluindo o piauiense, está mais preocupado em resultados. Se determinado candidato traz mais propostas que casem com as necessidades daquela comunidade e quem são as pessoas que dão apoio a esses compromissos. Se elas já trazem ou trouxeram resultados há uma tendencia de que aja mais simpatia e, consequentemente, o voto. Por isso, a maioria do eleitor médio no Brasil e no Piauí não se identifica com ideologias de esquerda, direita, centro ou qualquer outra. O voto ideológico não é, isoladamente, suficiente para eleger um candidato a cargos executivos. Qualquer candidato a cargos executivos precisa obter votos de gente não ideologizadas, seja de esquerda ou de direita. O PT sempre teve, desde 1989, 30% dos eleitores cativos em todas as eleições presidenciais. Isso é um fato comprovado pelos números, tanto q nunca o PT esteve fora do 2º turno - quando houve. Haddad com quatro meses lançado candidato foi para o 2º turno com cerca de 28% dos votos, isso é, faz parte da sequência histórica do partido. Lula só conseguiu vencer a 1ª eleição quando superou esse voto ideológico e atingiu os eleitores mais ao centro. Apesar da polarização evidente nas últimas eleições, não se verifica isso de forma tão fática", explica.

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