Água e óleo não se misturam. É pura química. E na política, esquerda e direita se misturam? Claro que sim, se der química e, neste caso, basta convergir os interesses. É o que está acontecendo na disputa pelas presidências da Câmara e do Senado, onde um provérbio do século IV AC nunca foi tão atual: "O inimigo do teu inimigo é meu amigo". A eleição acontece no dia 1º de fevereiro para o biênio 2021/2022.
No Senado o candidato do Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Os seis senadores do PT declararam apoio à sua candidatura. A justificativa? O apoio é em função de compromisso com o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), não de Bolsonaro ou de Pacheco. Mas, não só isso, o PT quer a Comissão de Direitos Humanos e a de Meio Ambiente. Na prática, estarão todos do mesmo lado na disputa contra a Senadora Simone Tebet (MDB-MS) que diz preservar a governabilidade, mas dentro dos parâmetros que julgar importante para o país, independente do Presidente Bolsonaro.
Na eleição para a Presidência da Câmara um outro exemplo de como a política é dinâmica e que as feridas podem cicatrizar, ou pelos menos parar de doer, quando convêm. Baleia Rossi (MDB-SP) votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Mesmo assim, o emedebista recebeu apoio em peso do bloco de esquerda (PT, PSB, PDT, PCdoB e Rede). A justificativa? Artur Lira (PP-AL), que também votou contra a ex-Presidente, é o candidato do Presidente Jair Bolsonaro.
Na política, onde se admite até ter adversários, mas não inimigos, esta é uma eleição onde o eleitor comum não vota nem influencia o voto. Assim, entre conchavos e conversas de pé de orelhas as alianças de momento vão se formando. Natural. É tudo química.
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