Si vis pacem, para bellum. Traduzida do latim, a frase sintetiza a ideia de que a paz precisa ser conquistada pela força: "se quer paz, prepare-se para a guerra". Desta forma muitas atrocidades no mundo aconteceram ao longo de toda existência da humanidade.
Cristo, por exemplo, veio ao mundo falando de reconciliação com Deus e salvação. Acabou morto para "pacificar" a crise religiosa em terra judia dominada pelos romanos. Sua palavra sacudiu as estruturas do status quo da época e isso era temerário para manutenção da paz. "Paz sem voz não é paz, é medo"!
E assim a humanidade caminha esquecendo-se muitas vezes daquilo que nos torna humanos: compreender o outro. Esta é uma relação difícil não apenas com nosso semelhante. Quem de nós não vive conflitos e não consegue achar a paz em si mesmo? Sem isso, como ter compreensão e conciliação com o próximo?
É como se disséssemos: "A minha alma tá armada e apontada para cara do sossego"! Não precisa nem de um motivo para o conflito começar em casa, na rua ou em qualquer outro lugar. O campo desta batalha é sangrento e insano, muitas vezes a primeira vítima é nossa própria alma.

É como se nossas dores fossem sempre maiores do que a dos outros. Buscamos compreensão para nossas falhas, mas falhamos na reciprocidade. É sempre mais fácil apontar o dedo para alguém e não perceber que o erro também é nosso. Pior, talvez provocado por nós mesmos. Como então ter paz com o outro se não a encontramos em nosso coração?
"Qual a paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz"? Difícil responder esta pergunta. Mas, de certo, não haverá paz com ninguém se primeiro não vivermos em conciliação com nós mesmos. Não é fácil, mas o primeiro passo é reconhecer esta necessidade, buscando aquilo que nos foi ensinado a mais de dois mil anos, o amor verdadeiro. Aquele que edifica, nos une e é a base do nosso relacionamento com Deus e, consequentemente, com o próximo.
Entre aspas estão trechos da música Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero) - O Rappa.
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