O Ministério Público do Piauí decidiu avançar na investigação sobre compras emergenciais feitas pela Prefeitura de Parnaíba para aquisição de medicamentos, insumos odontológicos e leites com fórmulas especiais. A antiga Notícia de Fato foi convertida em Procedimento Preparatório, etapa que amplia a apuração e permite novas diligências.
No centro do caso estão dois processos administrativos que resultaram em contratações por dispensa emergencial, mecanismo usado quando o poder público alega urgência para comprar sem licitação. A medida envolve as empresas B. F. de Meneses Hospitalar, conhecida como Vital Hospitalar, e W2 Comércio de Medicamento Ltda.
Ao responder ao Ministério Público, a prefeitura sustentou que precisou agir rapidamente porque teria herdado estoque insuficiente da gestão anterior, do seu padrinho político Mão Santa. O argumento político chama atenção porque o ex-Prefeito foi o principal nome que ajudou a impulsionar a vitória eleitoral do atual grupo nas urnas. Agora, aliados de ontem aparecem em lados opostos.
Mesmo com a justificativa apresentada, o Ministério Público entendeu que ainda há pontos a esclarecer. Por isso, determinou o prosseguimento da investigação para analisar se a situação realmente exigia compras emergenciais e se todos os requisitos legais foram cumpridos.
O promotor Antenor Filgueiras Lôbo Neto também mandou oficiar o Tribunal de Contas do Estado para informar se existem auditorias, denúncias ou processos sobre essas contratações. O denunciante inicial do caso também foi chamado para apresentar novos elementos, caso possua.
É um roteiro conhecido. Enquanto convinha a Francisco Emanuel, vinha o abraço, a foto, o discurso de continuidade e a bênção política de Mão Santa. Depois da posse, surgem os problemas, e com eles a necessidade de encontrar culpados. Isso não significa que uma gestão passada não possa ser questionada. Deve ser, se houver erros. O problema está na incoerência. Quem pediu votos dizendo representar continuidade não pode, meses depois, agir como se tivesse descoberto agora quem governava a cidade. Quem subiu no palanque ao lado de alguém não pode fingir surpresa com a herança recebida.
Parnaíba assiste, no fundo, a um conflito entre paternidade política e conveniência administrativa. O prefeito parece querer os votos que recebeu do antigo grupo, mas sem carregar o ônus dessa associação. Quer os dividendos eleitorais sem a responsabilidade histórica.
Prefeito de Parnaíba culpa gestão de Mão Santa por falta de estoque, mas MP mantém investigação sobre compras emergenciais
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