• 4 de junho de 2026
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quinta-feira, 30 de abril de 2026 | Wesslley Sales

Prefeito de Parnaíba culpa gestão de Mão Santa por falta de estoque, mas MP mantém investigação sobre compras emergenciais

Francisco Emanuel (PP), que teve Mão Santa como padrinho político, terá que enfrentar seus próprios problemas administrativos e não apenas querer culpar quem ontem o ajudou a ser Prefeito de Parnaíba.

O Ministério Público do Piauí decidiu avançar na investigação sobre compras emergenciais feitas pela Prefeitura de Parnaíba para aquisição de medicamentos, insumos odontológicos e leites com fórmulas especiais. A antiga Notícia de Fato foi convertida em Procedimento Preparatório, etapa que amplia a apuração e permite novas diligências.

No centro do caso estão dois processos administrativos que resultaram em contratações por dispensa emergencial, mecanismo usado quando o poder público alega urgência para comprar sem licitação. A medida envolve as empresas B. F. de Meneses Hospitalar, conhecida como Vital Hospitalar, e W2 Comércio de Medicamento Ltda.

Ao responder ao Ministério Público, a prefeitura sustentou que precisou agir rapidamente porque teria herdado estoque insuficiente da gestão anterior, do seu padrinho político Mão Santa. O argumento político chama atenção porque o ex-Prefeito foi o principal nome que ajudou a impulsionar a vitória eleitoral do atual grupo nas urnas. Agora, aliados de ontem aparecem em lados opostos.

Mesmo com a justificativa apresentada, o Ministério Público entendeu que ainda há pontos a esclarecer. Por isso, determinou o prosseguimento da investigação para analisar se a situação realmente exigia compras emergenciais e se todos os requisitos legais foram cumpridos.

O promotor Antenor Filgueiras Lôbo Neto também mandou oficiar o Tribunal de Contas do Estado para informar se existem auditorias, denúncias ou processos sobre essas contratações. O denunciante inicial do caso também foi chamado para apresentar novos elementos, caso possua.

É um roteiro conhecido. Enquanto convinha a Francisco Emanuel, vinha o abraço, a foto, o discurso de continuidade e a bênção política de Mão Santa. Depois da posse, surgem os problemas, e com eles a necessidade de encontrar culpados. Isso não significa que uma gestão passada não possa ser questionada. Deve ser, se houver erros. O problema está na incoerência. Quem pediu votos dizendo representar continuidade não pode, meses depois, agir como se tivesse descoberto agora quem governava a cidade. Quem subiu no palanque ao lado de alguém não pode fingir surpresa com a herança recebida.

Parnaíba assiste, no fundo, a um conflito entre paternidade política e conveniência administrativa. O prefeito parece querer os votos que recebeu do antigo grupo, mas sem carregar o ônus dessa associação. Quer os dividendos eleitorais sem a responsabilidade histórica.

 Prefeito de Parnaíba culpa gestão de Mão Santa por falta de estoque, mas MP mantém investigação sobre compras emergenciais  


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