Podem os apoios de lideranças impactar positiva ou negativamente na campanha de algum pré-candidato a Prefeito no Piauí? É uma resposta é aparentemente difícil, mas não é de hoje que a nacionalização das disputas locais serve de base para a disputa, como em 2022 para o Governo do Estado. Colar ou descolar cabeças de chapa será um dos desafios para os grupos políticos na capital e interior do Piauí.
É inegável que os pré-candidatos governistas afinam discurso com seus dois principais cabos eleitorais, Rafael Fonteles (PT) e o Presidente Lula (PT). Porém, há um fator interessante. Adversários em grupos de oposição ao Governo evitam trazer para a disputa local aqueles que, em tese, trariam força aos seus pré-candidatos, neste caso, o Senador Ciro Nogueira (PP) e o ex-Presidente Bolsonaro (PL).
É o que acontece, por exemplo, em Campo Maior. Essa semana Joãozinho Félix (PP) tentou barrar uma pesquisa eleitoral do Instituto Qualitativa, onde seu adversário, Paulo Martins (PT), aparece na frente com apoio de Lula e Rafael Fonteles. Apesar de conseguir evitar a divulgação em primeiro momento, mas uma decisão judicial assinada pelo juiz Leonardo Brasileiro, o Prefeito de Campo Maior (com apoio de Ciro Nogueira e Bolsonaro, segundo a pesquisa) perdeu na Justiça e o levantamento foi tornado público, revelando que o candidato petista seria eleito com 41,41% enquanto o atual gestor ficou com apenas 29,55% das intenções de votos.
“O último ponto seria a alegação de desvirtuamento da pesquisa quando a menção de apoiadores políticos de nível estadual e nacional. Ora, sabe-se que os partidos políticos buscam polarizar suas ações tanto a nível nacional, estadual e municipal, onde as disputas locais são apenas base para o fortalecimento dos partidos a nível nacional, portanto, uma disputa local reflete o apoio dos partidos a nível nacional e estadual. Cada pré-candidato tem seu partido, e o eleitorado já sabe quem são os representantes desses partidos a nível estadual e nacional, situação pública e notória, que por si só não trás a uma ideia de vinculação da sua escolha quanto a outros representantes dos partidos. Desta forma, não vislumbro, a princípio, os pressupostos para atender a tutela pretendida”, entendeu o magistrado.
CIENTISTA POLÍTICO ANALISA:
O cientista politico Germano Lúcio analisou ainda no final do ano passado essa questão. Para ele, esses apoios estaduais e nacionais teriam menos influência em uma eleição municipal, onde há maior proximidade entre eleitores e candidatos. No entanto, isso pode variar de estado para estado e até mesmo de como essas lideranças têm suas gestões avaliadas pela população. Em resumo, sim, é possível uma influência no decorrer da campanha.
“Você pegando municípios pequenos a influência do apoio de uma liderança nacional ela tende a ser menor. Nas capitais, nas grandes cidades, ainda ocorre uma maior chance dessa nacionalização ter um sucesso mais efetivo, o que não é garantia certa. Uma cidade do interior do Piauí, seja Campo Maior, Floriano, Picos Piripiri e etc, a nacionalização pode influenciar, mas não tende a ser muito decisiva. Agora, uma aliança com o Governo Estadual, tendo no governador um líder bem avaliado, tem até mais peso que a liderança nacional na definição de voto a um candidato a prefeito (…)”, explica Germano.
OUÇA ANÁLISE COMPLETA AQUI:
GERMANO LUCIO APOIO NACIONAL.MP3
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