Levantamento divulgado semana passada pelo Monitor da Violência (G1) aponta o Piauí com o mais alto índice de policiais mortos em 2020, uma taxa de 1,0 para grupo de mil. Em números absolutos o Estado é o sétimo entre as 27 unidades federativas, ficando atrás do Rio de Janeiro (44), São Paulo (49), Pernambuco (14), Pará (13), Minas Gerais (13) e Bahia (11).
Mas, esses agentes de segurança teriam sido mortos por serem policiais, ou seja, executados por causa da profissão? Não há dúvida que eles foram vítimas da violência como acontece em todo o país. Mas, dificilmente os criminosos tinham como alvo o policial militar. A maioria perdeu a vida em reação à tentativa de assalto quando sequer estavam fardados. Em alguns casos, faziam “bico” de segurança. É isso que passamos a detalhar a partir de agora.
Nenhum policial civil morreu em 2020 vítima de latrocínio ou homicídio, segundo a assessoria da Delegacia Geral. Já na Polícia Militar seis perderam a vida no Piauí e um em Timon-MA. Destes, cinco eram da ativa e dois da reserva.
01/03/2020: Cabo Oliveira (na ativa, 13ºBPM), 50 anos, vítima de homicídio na porta de casa ao ser abordado por quatro pessoas em um veículo e iniciar discussão. Possivelmente assalto. A arma do PM não foi levada.
22/05/2020: Sub-tenente Raimundo Carlos Pereira da Silva (reserva, 13º BPM) reagiu a uma tentativa de assalto (latrocínio) quando trabalhava como segurança em uma clínica na zona leste de Teresina. A moto foi levada. A arma do PM não.
22/07/2020: Soldado Lídio Mesquita (ativa, 13º BPM) estava passando de motocicleta quando foi surpreendido e derrubado por dois criminosos armados. Acabou morto com um tiro na nuca (latrocínio). O veículo e a arma foram levados.
24/07/2020: Capitão Adonias (ativa, HPM). Reagiu a um assalto (latrocínio) na porta de casa por três homens. A moto foi levada.
03/08/2020: Sargento Marcos Roberto (ativa, Casa de Custódia). Reagiu a assalto (latrocínio) ao chegar em casa e ser abordado. Arma e moto do PM foram levadas.
20/09/2020: Cabo Francisco de Assis (reserva). O policial e a esposa foram mortos em Timon-MA quando saiam de um mercado no que seria uma tentativa de assalto (latrocínio). Não foi encontrada informação sobre arma.
05/11/2020: Sargento Marcos Sérgio (ativa, 2º BPM em Parnaíba). Após discussão de trânsito o PM foi morto a tiros (homicídio) por um policial reformado de Goiás.
Seguindo esta linha de tempo é possível perceber que os Militares foram mortos, em sua maioria, em ações de criminosos que buscavam naquele momento praticar assaltos. No caso dos dois homicídios aconteceu uma discussão que acabou em tiros.
As vítimas de latrocínio reagiram. Em alguns casos os policiais conseguiram balear um dos criminosos, porém acabaram perdendo a vida exatamente por causa do elemento surpresa e por estarem em menor número. Assim, é possível, em tese, concluir que eles não morreram por serem PMs.
Para o Tenente-Coronel da PMPI, Adriano de Lucena, Comandante do Policiamento Metropolitano da Área 1 (Teresina), é preciso levar em conta que a morte dos PMs aconteceu em decorrência da atividade policial. Na prática, estando ou não fardados, eles reagiram a uma ação porque mesmo estando de folga ou na reserva foram treinados para reagir à ação criminosa.
"Eles reagiram em decorrência da atividade policial militar que exerciam em sua profissão, ou seja, apresentaram um comportamento frente ao perigo compatível com a profissão que desempenharam por anos. Agiram ou reagiram por serem policiais militares. É preciso fazer a pergunta: Eles foram alvos de assassinatos por que eram policiais militares? Dos casos apresentados no Piauí é quase certo que não, mas não é possível afirmar com certeza sem a análise caso a caso. É possível, sim, afirmar que por serem policiais militares o ímpeto da reação frente à ameaça é um comportamento previsível, pois o sentimento comum é de que se o criminoso perceber que eles são policiais militares, certamente seriam vítimas de homicídios. Então, ao nosso olhar, eles foram mortos em decorrência da atividade”.
Sargento Marcos Roberto Freitas, morreu após ser baleado durante um assalto zona sul de Teresina em agosto de 2020.
*Tenente-Coronel Lucena é especialista em Gestão de Segurança Pública (UESPI), Educação e Diretos Humanos (UFPI), formação no Curso Superior de Polícia (PMPR) e instrutor de tiro.
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