O mundo amanheceu em silêncio nesta segunda-feira (21), com a notícia da morte do Papa Francisco. Jorge Mario Bergoglio faleceu às 7h35, no horário de Roma, vítima de insuficiência cardíaca congestiva. Ele tinha 88 anos. A informação foi confirmada pelo Vaticano em nota oficial. Com o fim de seu pontificado, inicia-se agora o período de luto e os procedimentos tradicionais da Santa Sé para a transição papal.
Francisco assumiu o papado em março de 2013, tornando-se o 266º Papa da Igreja Católica, após a renúncia histórica de Bento XVI, que alegou fragilidade física para deixar o cargo. O conclave que o elegeu foi marcado pelo desejo de renovação e reforma dentro da Igreja — uma missão que Francisco abraçou com coragem.
No momento decisivo da escolha, uma frase dita pelo cardeal brasileiro Cláudio Hummes tocou profundamente Bergoglio: “Não se esqueça dos pobres.” Foi o impulso que o levou a adotar o nome Francisco, em homenagem a São Francisco de Assis, símbolo da humildade, do cuidado com os mais necessitados e da simplicidade evangélica.
Durante seus 12 anos à frente da Igreja Católica, o Papa Francisco foi considerado um reformista, disposto a enfrentar estruturas enrijecidas e desafios históricos. Entre suas principais reformas, destacam-se:
A reestruturação do sistema financeiro do Vaticano, com mais transparência e controle
A ampliação do diálogo inter-religioso e o combate à discriminação
A abertura pastoral à comunidade LGBTQIA+, com ênfase no acolhimento e não no julgamento
A firme atuação diante dos escândalos de abuso sexual dentro da Igreja
O fortalecimento do papel dos leigos e das mulheres nas estruturas e decisões da Igreja
A defesa incansável das causas sociais e ambientais, tornando-se uma voz profética em temas como a crise climática e as desigualdades globais
Entre seus últimos atos, Francisco assinou o decreto de canonização do jovem Carlo Acutis, conhecido como o “padroeiro da internet”. A decisão já estava tomada e a data prevista para 27 de abril, deve ser adiada.
Sua última aparição pública foi emocionante, durante a tradicional bênção "Urbi et Orbi", no Domingo de Páscoa. Com a saúde visivelmente debilitada, mas determinado a estar presente, falou com voz baixa e pausada sobre paz, solidariedade e esperança.
Como será o funeral de Francisco
Com a confirmação oficial do óbito, o camerlengo do Vaticano segue um ritual preciso: o “Anel do Pescador”, símbolo da autoridade papal, foi retirado do dedo de Francisco e destruído com um martelo, marcando oficialmente o fim do pontificado. Seu quarto foi selado.
O corpo do Papa será colocado em um caixão de madeira com revestimento interno de zinco, conforme ele mesmo determinou em vida. Ao contrário da tradição anterior, ele não será exposto em um esquife elevado, mas diretamente no caixão, dentro da Basílica de São Pedro, onde ocorrerá o velório.
Francisco também solicitou um funeral mais simples: não haverá os três caixões tradicionais (cipreste, chumbo e carvalho), mas apenas a urna de madeira com zinco. E, em mais um gesto de humildade, pediu para não ser sepultado junto aos papas anteriores, na cripta da Basílica de São Pedro. Seu corpo será enterrado na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, onde costumava rezar antes e depois de viagens apostólicas.
O enterro deverá acontecer entre quatro e seis dias após a morte. Durante nove dias consecutivos, missas serão celebradas em sua memória — o tradicional período dos “novendiales”, tempo de oração pela alma do pontífice.
O que acontece agora
Com a morte de Francisco, a Igreja entra oficialmente em período de Sede Vacante. O colégio dos cardeais será convocado nos próximos dias para o conclave, a reunião secreta na Capela Sistina onde será escolhido o novo Papa. Não há prazo fixo, mas a expectativa é que a eleição ocorra até o fim de maio.
O mundo católico se despede de um líder que inspirou, desafiou e acolheu. Um Papa que andou com os pobres, que falou com firmeza contra injustiças e que abriu portas e corações com sua voz mansa, mas revolucionária.
Francisco será lembrado como o papa que desafiou tradições rígidas em nome da empatia e da justiça. Um líder espiritual que, com gestos simples e palavras firmes, aproximou a Igreja do mundo real — com suas dores, esperanças e contradições.
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