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quarta-feira, 5 de agosto de 2020 | Wesslley Sales

O mundo pode estar vivendo a Era da Desinformação em Massa ao invés da Era da Comunicação

A principal vítima é a verdade, mas traz consigo os “inocentes” úteis que ajudam a liquidá-la

Qualquer criança sabe que é possível conversar por voz e vídeo com outra pessoa em qualquer parte do mundo. Que as imagens atravessam continentes em milésimos de segundo. Tudo ao alcance das mãos. Pelo celular a qualquer momento, em qualquer lugar. Mas, essa tecnologia comunicacional cobra preços, um deles é de que a mentira e a verdade têm agora uma outra e mais complicada versão, a digital.

O mundo mudou e acelera transformações. Saímos da era industrial (início do século XVIII) para mergulhar no período em que as informações chegaram ao ápice, um lapso temporal de décadas entre uma e outra. Agora, temos presente no dia a dia um novo capítulo, a comunicação de massa na era da informação algo que se expande rápido e produz efeitos ainda longe de serem mensurados com propriedade.

Se com a internet a comunicação ganhou em agilidade pela forma em que a sociedade troca informações, por outro, revela algo que podemos considerar como a Era da Desinformação em massa. Parece contraditório, mas é uma teoria que começa a ser estudada e mostra que parte do que circula em redes sociais fortalece o que se chama de pós verdade. Isso significa que as pessoas passam a acreditar não em informações verdadeiras baseada em fatos, mas naquilo que desejariam que fosse verdade.

Exemplo disso é a profusão de notícias falsas. Incautos se informam lendo manchetes e só se utilizam de redes sociais, “viralizando” o que estão de acordo. Estas presas fáceis da desinformação parecem não ter interesse em checar a veracidade antes de repassar algo duvidoso. Uma pesquisa da Universidade de Stanford (EUA-2018) apontou que estudantes americanos tiveram problema para verificar a credibilidade das informações divulgadas na internet. Dos 7.804 alunos dos ensinos fundamental, médio e superior, 40% não conseguiu detectar Fake News.

Para o historiador e escritor argentino, Gregorio Caro Figueroa, vivemos um período de pós verdade onde “algo que aparenta ser verdade é mais importante que a própria verdade”. Os exemplos são muitos. Basta um olhar nem tão rebuscado antes, durante e depois do período eleitoral de 2018. Informações claramente erradas são aceitas e difundidas como corretas, apostando principalmente na desinformação para que esta se propague como rastilho de pólvora.

O resultado é barulhento, destruidor e de efeitos imediatos. A principal vítima é a verdade, mas traz consigo os “inocentes” úteis que ajudam a liquidá-la simplesmente pelo comodismo, preguiça ou pura maldade, fazendo desta que poderia ser uma grande era de comunicação para um período onde apostar na desinformação parece dar mais resultados.

Texto: Wesslley Sales

Publicado originalmente no Portal Douglas Cordeiro

https://www.douglascordeiro.com/colunas/colunista-sa-1/a-aparente-verdade-e-mais-importante-que-a-propria-verdade-6339.html

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