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sexta-feira, 23 de setembro de 2022 | Wesslley Sales

Governo é como cobra, até morta mete medo

Entenda porque não se pode subestimar candidatos a reeleição, como Jair Bolsonaro e nem os alinhados com o Governo, como Rafael Fonteles.

Este é um ditado popular antigo que tem como foco a força da “máquina” do Governo, seja prefeitura, estado ou federal, para impulsionar candidaturas. Talvez por isso raramente quem está no poder deixa de se reeleger ou eleger seu sucessor. Levantamento do Globo mostra que nas últimas seis eleições, mais da metade dos 162 candidatos eleitos para o Executivo estadual já estava no posto ou era nome da situação, apoiado pelo governador à época.

A reeleição foi instituída em 1997, com Fernando Henrique Cardoso (PSDB) na Presidência da República. Ao olharmos para o Piauí, a partir deste período, veremos que praticamente todos os Governadores foram aprovados para um segundo mandato. 

Mão Santa (MDB) ficou de 1995 a 2001; Hugo Napoleão (PFL) assumiu em 2001 com a cassação de Mão Santa, mas não conseguiu reeleição, sendo derrotado em 2002 por Wellington Dias (PT), que foi reeleito para mais um mandato em 2006. Seu vice, Wilson Martins (PSB) assume em 2010 e se reelege naquele mesmo ano. Seu vice, Zé Filho (MDB) assume em 2014 após renúncia de Martins para disputar o Senado, mas não consegue reeleição. O emedebista acabou derrotado por Wellington Dias (PT), que acabou reeleito novamente em 2018.

Como se vê, apenas Hugo Napoleão e Zé Filho não conseguiram, apesar de estarem com a “máquina” nas mãos para disputar a reeleição. Outra curiosidade é que desde que assumiu o Governo, Wellington Dias ajudou a eleger todos os seus sucessores.

Quando se olha para a Presidência da República, todos os candidatos, de 1997 até agora foram reeleitos. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ficou de 1995 a 2003, mas não elegeu seu sucessor; Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi Presidente de 2003 a 2011, elegendo em seguida sua sucessora, Dilma Rousseff (PT) que ficou no mandato de 2011 a 2016, quando sofreu impeachment, assumindo em seu lugar Michel Temmer (MDB) até 2019 e não entrou na disputa pelo cargo. Em 2018, foi eleito Jair Messias Bolsonaro (PSL), que agora tenta a reeleição.

Como se vê, não se pode subestimar a força da “máquina” no Piauí e no Brasil, o que faz com que os candidatos alinhados com o Governo, como é o caso de Rafael Fonteles ou disputando a reeleição, como Jair Bolsonaro (PL), estejam dentro da estatística e do ditado popular: Governo é como cobra, até morta mete medo. 

Porém, em eleição nada está definido até a contagem dos votos e se confirmar a soberania do eleitor, ainda mais quando a oposição, tanto no cenário nacional quanto local, está mais forte e estruturada. A conferir.

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