A pandemia nos mostrou um 2020 cruel, não apenas pela ação de um vírus, mas pelo desamor e desapego à própria condição humana. Perdemos mais de 193.875 mil vidas, 7.619.200 pessoas estão infectadas e 6.707.781 recuperadas, segundo dados do Ministério da Saúde em 30 de dezembro. São números frios, estatística que refletem a evolução ou retrocesso no combate ao coronavírus no país, pois a vacina ainda é motivo de disputa técnica, mas principalmente política.
A covid-19 já se mostrou democrática. Não escolhe classe social ou qualquer outro tipo de segregação que se queira fazer, muito menos ideológica. Ao contrário, levou vidas de pessoas bem jovens, sem doenças pré-existentes e com futuro aberto para realização de sonhos. Não apenas idosos com morbidades, como tentaram passar nos primeiros momentos. Apesar disso, a imbecilidade falou mais alto. Brados contra e a favor de medicamentos e tratamentos. Pura politicagem barata. No centro da questão não está apenas a saúde ou a economia, mas a luta pelo poder que se estabelecerá na próxima eleição de 2022.
Essa bestial luta politico-ideológica é travada principalmente em redes sociais, com desinformação e mentiras. São alimentadas diariamente para defender ou atacar pessoas. Ninguém escapa. Para isso, basta se posicionar contra ou a favor que os "técnicos" de plantão, sem o menor senso crítico, estão prontos para defender suas bandeiras e caciques políticos sem parecer incomodar-se com a dor de quem perdeu um parente ou um amigo.
Enquanto isso, o coronavírus pouco se importa. Avança, amplia sua capacidade de transmissão e retransmissão. Se combater a covid-19 no início com tratamento precoce dividiu trincheiras, imagine agora com a vacina que sequer está disponível e com previsão para fim de janeiro ou início de fevereiro ter início a imunização.
Estamos literalmente entregues e à disposição de homens e mulheres que de forma honesta e dedicada fazem a saúde pública deste país, além dos cientistas que buscam desesperadamente algo que dê segurança total em meio ao caos e o medo. Não se engane. O vírus é seu e meu. Como ele age em cada organismo é algo particular e não nos cabe dizer que vai acontecer e sua evolução igual com todo mundo. Mas, politizar a doença é um erro que pode custar muito caro a cada um de nós por pura disputa de poder.
O Brasil não merece essa patifaria.
Deixe sua opinião: