Um vídeo feito por um deputado federal de oposição, com mais de 200 mil visualizações seria suficiente para mudar os rumos de uma medida de Governo? Dificilmente. Ou pelo menos não deveria, caso houve estratégia e diálogo nas redes sociais da gestão com os brasileiros, se antecipando a notícias falsas, como a enxurrada que inundou as redes sociais falando sobre a “taxação do PIX”. A proposta original era barrar lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.
Porém, o Presidente Lula e sua equipe não consegue se comunicar. Já foi um erro, neste momento, dar a Receita Federal condição de monitorar movimentações via PIX no valor de R$ 5 mil para pessoa física e de R$ 15 mil para pessoa jurídica. Associado as notícias falsas de que haveria taxação e a falta de habilidade nas redes sociais, com narrativa dominada pela oposição, e sem coordenação política, não restou outra alternativa senão recuar da proposta.
"O recuo, da forma como foi feito, demonstrou uma fragilidade do governo como há muito tempo eu não via. O problema, para mim, não é só de comunicação. É o Lula. Ele parece estar de saco cheio, sem apetite para governar. Está blindado. Os problemas chegam na sala dele quando já é muito tarde para decidir", analisa o senador Ciro Nogueira (PP-PI) para a jornalista Daniela Lima, do G1.
Com isso, lucram os partidos do chamado Centrão, que passam a ter maior poder de fogo para barganhar Ministérios mais robustos dentro da reforma que deve ser anunciada em breve. Também saem por cima os partidos de direita, que fazem oposição ferrenha ao Governo e conseguiram plantar uma dúvida, principalmente em quem mais seria impactado com a medida: se recuaram é porque tinha fundo de verdade sobre uma futura taxação?
Já o Governo, que essa semana trocou o comando da Secretaria de Comunicação, colocando um publicitário, espera melhorar esse contato fragilizado com as massas, coisa que a esquerda desaprendeu a algum tempo tanto na mobilização no mundo real quanto nas redes sociais.
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