• 4 de junho de 2026
ÚLTIMAS NOTÍCIAS

sábado, 23 de maio de 2026 | Wesslley Sales

Congresso muda regra fiscal e pode transformar a sobrevivência financeira de quase todo o Piauí, apenas quatro ficam de fora das regras

Derrubada de veto expõe choque entre responsabilidade fiscal e realidade dos pequenos municípios. A mudança amplia o poder político de quem controla a chegada desses recursos, como deputados e senadores.

A derrubada do veto presidencial pelo Congresso Nacional terá impacto direto em praticamente todo o Piauí e fortalece politicamente deputados e senadores às vésperas das eleições de 2026. A medida permite que municípios com até 65 mil habitantes, mesmo inadimplentes no CAUC — sistema que monitora pendências fiscais das prefeituras — possam continuar firmando convênios e recebendo recursos federais.

Na prática, isso significa que cerca de 220 municípios piauienses poderão acessar verbas para saúde, infraestrutura, asfaltamento, equipamentos, custeio e emendas parlamentares mesmo enfrentando restrições fiscais.

Pelo critério populacional aprovado pelo Congresso, apenas quatro cidades do Piauí ficariam fora da flexibilização: Teresina; Parnaíba; Picos; Piripiri.

Todas as demais cidades do estado, que representam cerca de 98% dos municípios piauienses, passam a ser beneficiadas.

Embora o discurso oficial seja de socorro financeiro às pequenas prefeituras, a medida também possui forte impacto político. Isso porque libera justamente no período pré-eleitoral a circulação de recursos, obras e investimentos que fortalecem a atuação de deputados e senadores no interior.

No Piauí, onde a maioria das cidades depende diretamente de convênios e emendas parlamentares, a mudança amplia o poder político de quem controla a chegada desses recursos. A consequência prática é que o controle sobre o fluxo de recursos públicos passa a ter peso ainda maior no jogo eleitoral de 2026. Deputados e senadores poderão chegar com obras, asfaltos, equipamentos e convênios em andamento, fortalecendo narrativas de “quem trouxe recursos” e ampliando o poder de influência sobre prefeitos e lideranças locais em municípios que antes poderiam ficar impedidos de receber verbas por inadimplência fiscal.

O governo Lula havia vetado a proposta alegando risco à Lei de Responsabilidade Fiscal e possível flexibilização excessiva dos controles sobre recursos públicos. O Congresso, porém, decidiu priorizar a pressão dos prefeitos e o fortalecimento do municipalismo — em uma decisão que também reforça, politicamente, as bases eleitorais de deputados e senadores para 2026.

Deixe sua opinião:

Veja também: