• 5 de junho de 2026
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segunda-feira, 24 de outubro de 2022 | Wesslley Sales

Bob Jefferson, o tiro que saiu pela culatra e pode prejudicar o plano de reeleição

O Presidente do PTB tentou lacrar de mártir extremista e acabou na prisão como bandido comum por tentativa de duplo homicídio de PFs.

Em setembro de 2019 o Partido Trabalhista Brasileiro inicia sua guinada à direita e ao bolsonarismo. Naquele ano, foi editada a ResoluçãoPTB/CEN N° 89/2020 que proibia os diretórios de coligações com partidos de esquerda na disputa pelas prefeituras.

“Art. 1º. – Fica terminantemente vedada a efetivação de coligações do PTB com os partidos que compõem o Foro de São Paulo incluindo as seguintes agremiações: PT, PSOL, PDT, PCdoB, REDE, PSB, PCB, PSTU e PCO”, diz trecho do documento assinado pelo seu Presidente nacional, Roberto Jefferson Monteiro Francisco. 

No Piauí a repercussão foi a debanda de lideranças, prefeitos e vereadores do partido. Na Assembleia Legislativa o PTB ficou sem representantes após os deputados Nerinho e Janaína Marques irem contra a Resolução e anunciar depois a saída da legenda.

A partir desta mudança Jefferson se aproxima mais do Palácio do Planalto. Vários foram os encontros com o Presidente da República e a promessa de apoio à reeleição. Ele ainda tentou disputar a Presidência da República com dois objetivos: para que o partido não caísse na cláusula de barreira e para servir de escada para Bolsonaro. Impedido pela justiça eleitoral, coube ao Padre Kelman executar a missão.                                                                            

Sua prisão em agosto do ano passado irritou Jair Bolsonaro (PL) levando-o a críticas ao Supremo Tribunal Federal. Ele chegou a dizer que o STF ultrapassou todos os limites. O ex-deputado federal foi preso na investigação sobre miliciais digitais que, segundo o Ministro Alexandre de Moraes, “faz parte do núcleo político” de uma organização criminosa “que tem por um de seus fins desestabilizar as instituições republicanas”.

Agora, mais um capítulo tosco protagonizado por Roberto Jefferson. Em liberdade condicional, ou seja, em prisão domiciliar e sob algumas regras, como não usar redes sociais, compartilhar fakes que atinjam a honra de instituições, como o STF. Neste caso, um vídeo com palavras pesadíssimas contra a Ministra Carmem Lúcia foi o estopim para revogar o benefício.

Assim, coube a Polícia Federal cumprir a determinação do Ministro Alexandre de Moraes. Os agentes, no entanto, foram recebidos a bala e explosões de granadas. Dois foram feridos, mas sem gravidade. Apenas oito horas depois Jefferson se entregou e foi conduzido para sede da PF no Rio de Janeiro e depois para o presídio.

O presidente da República tratou de chamar o aliado de "bandido". Afirmou que enviaria o Ministro da Justiça, como se a prisão dependesse disso. Por outro lado, afirmou que não tem fotos ao lado do Presidente do PTB, o que foi desmentido facilmente. Foram algumas ações de Jair Bolsonaro para tentar não ter sua imagem colada a Roberto Jefferson que, tentou lacrar de mártir extremista e acabou na prisão como bandido comum por tentativa de duplo assassinato. Foram tiros que saíram pela culatra e que podem atrapalhar os planos de reeleição a menos de uma semana do pleito, caso a equipe de campanha não consiga blindar o presidente.

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