Questionado qual interesse em denunciar uma suposta improbidade administrativa e culpar parentes do Prefeito Dr. Pessoa, Robert Rios (REP) afirmou aos jornalistas que é patriota, acrescentando que não compactuar com irregularidades faz parte da sua história como delegado da Polícia Federal. As declarações foram dadas momentos antes de um encontro a portas fechadas com vereadores na Câmara Municipal de Teresina na última quinta-feira (26), onde uma questão levantada pode mudar radicalmente o comando da Prefeitura.
Dos 29 vereadores apenas quatro não estavam presentes: Jeová Alencar (REP), Thanandra Sarapatinhas (PATRI), Joaquim Caldas (MDB) e Pastor Levino de Jesus (REP). Aos parlamentares foi apresentado um relatório fruto de auditória feita pela Controladoria da Prefeitura onde aponta indícios de irregularidades que, segundo o vice-Prefeito, pagamento feito pela Fundação Municipal de Saúde de algo em torno de R$ 83 milhões sem o devido empenho. O encontro durou pouco mais de uma hora, mas foi no finalzinho que uma pergunta feita pelo vereador Ismael Silva (PSD) chamou atenção, mais ainda a resposta de Robert Rios.
Ao OPINIÃO E NOTÍCIA um parlamentar confidenciou: “O Ismael perguntou se, caso o Dr. Pessoa fosse afastado (impeachment) ele assumiria a Prefeitura. Robert afirmou que não. Se o Prefeito sair ele saiu junto”. O vereador confirmou que fez este questionamento e completou: “Fui muito sincero. Ele estava à frente da Secretaria de Finanças e teve acesso a essas informações a algum tempo. Então, deixei claro logo para ele que se cair um, cai logo todos. Mas, como a resposta dele foi de que sai junto com Dr. Pessoa, então fiquei mais tranquilo”, justificou Ismael Silva, que também protocolou pedido de investigação junto ao Ministério Público.
Na manhã seguinte, em pleno recesso, mais da metade dos parlamentares circulavam pela Câmara Municipal, principalmente divididos em pequenos grupos reunidos no estacionamento da Casa. Ainda martelava a resposta de Robert Rios a Ismael Silva. O motivo é que no caso do afastamento do Prefeito e do vice, a Prefeitura de Teresina seria administrada pelo Presidente da Câmara e seu primeiro vice-Presidente, ou seja, o Palácio da Cidade cairia no colo de Enzo Samuel (PDT) e Pollyana Rocha (PV).
Claro, antes que esse cenário se confirme será preciso análise de toda documentação entregue por Robert Rios e isso será feito com lupa pela Procuradoria da Câmara Municipal, além de órgãos como a própria Polícia Federal, Ministério Público, Tribunal de Contas e Ministério Público Federal. Para vereadores da base do Prefeito tudo não passa de um “traque”. Para os de oposição as denúncias são “gravíssimas”. Dr. Pessoa contra-ataca formando uma comissão, que deverá ter acompanhamento da OAB-PI, que tem como missão realizar auditoria nas contas da Fundação Municipal de Saúde para apurar as possíveis irregularidades apontadas pelo vice-Prefeito.
Enquanto isso, na mesa do Presidente Enzo Samuel ainda resta um pedido de impeachment do Prefeito ainda do ano passado e, para esquentar ainda mais a cabeça do Dr. Pessoa, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas e Transportes Rodoviários (Sintetro) também protocola uma nova petição de afastamento do gestor de Teresina.
Se a reeleição de Dr. Pessoa já é considerada complicada por uma série de problemas administrativos e forte rejeição dos teresinenses, esses novos movimentos vindos exatamente da sua base podem ser a pá de cal em seu desejo por um segundo mandato.
VEJA MAIS DETALHES NAS REPORTAGENS:
1 - Enzo Samuel convoca vereadores para aprofundar análise das denúncias oferecidas por Robert Rios
2 - Dr. Pessoa não está no comando. Quem comanda é a esposa, filho, genro e sobrinho
3 - Vereador aciona MP para apurar denúncia de Robert Rios contra parentes de Dr. Pessoa

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