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terça-feira, 17 de novembro de 2020 | Wesslley Sales

Mulheres do PMN lideram indícios de candidaturas laranjas em Teresina

Para a cientista política Marília Gabriela esta é uma situação grave que acontece em todo o país.

Pelo menos quatro mulheres foram, o que se pode chamar, de campeãs de  falta de votos em Teresina na eleição deste ano. Curiosamente todas são da mesma sigla, o Partido da Mobilização Nacional-PMN. Isso chama atenção e abre a perspectiva de mais uma vez a cota de gênero ser usada com candidaturas laranjas.

Maria Helena da Usina Santa, Sara Carvalho, Pastora Márcia e Lúcia disputaram o cargo de vereadora em Teresina. Tiveram apenas um (1) voto, provavelmente os delas próprios. Na prestação de contas à Justiça Eleitoral consta que elas não receberam um único centavo para a campanha. Para a cientista política Marília Gabriela esta é uma situação grave que acontece em todo o país.

"É estranho a gente ter este tipo de resultado de 1 voto ou zero voto, como vi em Fortaleza-CE, candidata mulher que sequer votou nela mesma. Observei isso também em Porto Alegre-RS com as mulheres. A gente considera como uma fraude por conta de gênero. Em Teresina é preciso avaliar: será que essas mulheres gastaram na campanha? Será se pediram votos para outro candidato? É preciso analisar esses outros fatores para considerar como candidaturas laranjas", explica.

No Brasil a cota de gêneros, onde é estabelecido que no mínimo 20% das vagas na chapa proporcional devem ser preenchidas com candidatas mulheres, que também tem direito desde 2018 a 30% do fundo eleitoral. Na prática o que se vê é ainda um descaso dos partidos políticos, que dão o famoso "jeitinho brasileiro" para tentar driblar a legislação eleitoral.

"Isso afeta o processo democrático. Afeta aquilo que a gente defende, mulheres mais conscientes que venham a compreender as cotas estipuladas pelo Tribunal Superior Eleitoral. Com muita luta conseguimos este benefício de obrigatoriedade dos próprios partidos incentivarem as mulheres a participar da competição e de fato competir. Então, se eu tenho candidatas que tiveram apenas um voto ou zero voto, isso nos dá a entender que estavam ali apenas para cumprir uma cota e compactuou com o benefício para que o partido esteja dentro do limiar jurídico. É lamentável, mas é um comportamento recorrente", concluiu Marília Gabriela.

Figuram ainda na lista dos menos votados: Genésio Santos (PSC), com dois votos e R$ 2 mil para campanha; Nathy (PMN) com três votos e sem recursos para campanha; Ermelinda (PMB) com quatro votos e sem recursos para campanha; Simone (PCdoB) com quatro votos e R$ 2.047 mil para campanha.

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