Um desvio de conduta que chocou a sociedade ganhou desfecho judicial nesta quarta-feira (15): o sargento da Polícia Militar do Piauí, Avelar dos Reis Mota (conhecido como Sargento Mota), foi condenado pela Vara Militar de Teresina a 4 anos, 2 meses e 12 dias de reclusão, em regime semiaberto, pelo crime de furto qualificado com emprego de chave falsa. A sentença foi proferida pelo juiz Raimundo José de Macau Furtado.
O caso remonta ao dia 15 de fevereiro de 2023, quando o policial, em serviço no bairro Promorar, segundo a acusação, desviou-se de sua rota e foi até uma residência no bairro Areias, onde furtou um perfume da marca Malbec. Para cometer o crime, utilizou uma chave falsa para invadir o imóvel.
Logo após o furto, o sargento tentou ocultar suas pegadas: ele teria tentado danificar as câmeras de segurança, cortando fios de energia, e, em outra ocasião, um policial não identificado teria disparado contra uma das câmeras registradas no local.
Testemunhas foram fundamentais para elucidar o crime. Entre elas, o Cabo Wellington da Silva, que estava de serviço com Mota no dia do furto, disse ter presenciado o colega adentrar a casa sem autorização e tentar destruir a câmera. Imagens captadas pelas câmeras foram usadas como prova contundente, bem como o reconhecimento do acusado pela vítima e outros vizinhos.
A defesa tentou anular as provas de vídeo, alegando falhas na perícia e quebra da cadeia de custódia, mas o juiz rejeitou essas preliminares. Entendeu-se que não houve demonstração de prejuízo concreto ao acusado e que as testemunhas e imagens eram fortes o suficiente para sustentar a condenação.
Na dosimetria da pena, foram consideradas circunstâncias agravantes: abuso de poder, por se tratar de agente público que usou sua condição funcional para cometer o crime, e antecedentes criminais já existentes. Esses elementos elevaram a condenação à pena final definida pelo magistrado. A sentença permite que o condenado recorra em liberdade, salvo se estiver preso por outro motivo.
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