• 4 de junho de 2026
ÚLTIMAS NOTÍCIAS

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026 | Eddy Carlos

PF apreende malas com R$ 850 mil e mira “loteria paralela” disfarçada de títulos de capitalização no Piauí, Ceará e Pernambuco

Operação Aleatorius suspende empresa alvo, cumpre sete mandados em quatro cidades e investiga lavagem de dinheiro, fraude em sorteios e crimes contra a ordem tributária.

A Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 850 mil em dinheiro vivo em uma operação que mira um suposto esquema de sorteios irregulares envolvendo uma empresa do setor de títulos de capitalização. A ação, batizada de Operação Aleatorius, foi deflagrada neste domingo (8/2) e tem como objetivo desarticular uma estrutura que, segundo as investigações, burlava as regras do Ministério da Fazenda para a realização de promoções comerciais e sorteios vinculados a produtos financeiros. Além do dinheiro em espécie, os policiais federais recolheram celulares, computadores e documentos, que agora serão submetidos a perícia e análise financeira para rastrear o caminho dos recursos e identificar eventuais beneficiários do esquema.

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas cidades de Teresina (PI), Juazeiro do Norte (CE), Garanhuns (PE) e Caruaru (PE), por determinação da 1ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Piauí. A Justiça também determinou a suspensão das atividades da empresa investigada, que possuía autorização formal para operar títulos de capitalização, mas, de acordo com a PF, teria extrapolado os limites legais dessa modalidade. Na prática, segundo o que já foi apurado, a companhia montou uma engrenagem de sorteios com características muito próximas às de uma loteria paralela, fugindo do modelo regulamentado.

De acordo com a PF, os sorteios eram realizados com frequência elevada, com prêmios de alto valor e regras próprias de apuração, fora do padrão permitido para títulos de capitalização e promoções regidas pelo Ministério da Fazenda. Esse desenho, avaliam os investigadores, pode ter levado milhares de consumidores a acreditar que estavam participando de ações promocionais plenamente regulares, quando uma parte relevante das operações estaria ocorrendo à margem da regulamentação oficial. A crítica central é que a empresa usava a “capa” de um produto autorizado para, na prática, operar algo parecido com um jogo de azar não regulado.

Outro ponto que chamou a atenção dos policiais foi a movimentação de grandes quantias fora do sistema bancário. A PF identificou, em linhas preliminares, o uso de dinheiro vivo em larga escala, fracionamento de valores e pagamento de prêmios em espécie, o que é típico de esquemas que tentam escapar dos mecanismos de controle e rastreio financeiro. Os cerca de R$ 850 mil apreendidos em malas e outros recipientes durante as diligências reforçam, para os investigadores, a suspeita de que parte da atividade era conduzida deliberadamente fora do circuito formal, dificultando o acompanhamento por órgãos de fiscalização e o registro adequado para fins tributários.

Com base nesses elementos, a apuração trabalha, neste momento, com a possibilidade de enquadramento dos investigados em diversos crimes, entre eles lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, falsificação de selo ou sinal público e delitos contra a ordem tributária. Outras condutas ainda estão sendo analisadas a partir do material recolhido. A perícia sobre os aparelhos eletrônicos e os documentos apreendidos deve indicar como era estruturada a rede de sorteios, quem participava da administração do esquema, como se dava a captação de apostadores e de que forma os recursos circulavam entre a empresa, intermediários e eventuais beneficiários finais. A Operação Aleatorius, segundo a PF, ainda está em curso, e novas medidas judiciais não estão descartadas à medida que o mapeamento do fluxo financeiro avance.

Ainda nesta segunda-feira (09) a Polícia Federal concedeu entrevista com mais detalhes sobre a Operação Aleatorius. O delegado Marco Antônio Flávio, que investiga crimes tributários, explicou que sequer a empresa poderia fazer sorteios de prêmios tão vultuosos, confirmando como funcionava o esquema da Poti da Sorte.

“Utilizaram sócios diferentes. Sempre coincidia um ou outro, mas não eram os mesmos sócios, mas têm ligação. É uma continuidade. É uma forma de burlar a investigação, de burlar a fiscalização do Ministério da Fazenda. Eles tentam de todas as formas alterar o quadro societário, alterar o nome, passou de um nome, depois para outro, depois para outro, na continuação sempre são as mesmas pessoas, muda uma ou outra, para tentar desmistificar, tentar desvirtuar a atividade criminosa. A empresa tinha autorização para fazer sorteios de pequena monta, no máximo uma motocicleta, mas estava fazendo grandes sorteios de valores elevados. Constatou-se que não havia declaração de valores, lavagem de capitais por parte dos sócios e a gente deflagrou essa operação”, disse.

A empresa usou de nota à imprensa para justificar a não realização do último sorteio e ratificou que opera dentro da legalidade.

Informamos que o sorteio do POTI DA SORTE, previsto para hoje, 08 de fevereiro de 2026, não pode ser realizado por um motivo totalmente externo à nossa empresa.

Fomos comunicados, nesta data, sobre uma decisão judicial relacionada ao sorteio, e ainda não tivemos acesso ao processo nem aos detalhes que levaram a essa medida.

Reforçamos que o POTI DA SORTE sempre atuou com seriedade, transparência e absoluto respeito à legislação, prezando acima de tudo pela confiança dos seus clientes e parceiros.

Assim que todas as questões forem esclarecidas, informaremos a nova data do sorteio por meio dos nossos canais oficiais.

Agradecemos a compreensão e a confiança de sempre.

Atenciosamente,

Equipe Poti da Sorte.

 PF apreende malas com R$ 850 mil e mira “loteria paralela” disfarçada de títulos de capitalização no Piauí, Ceará e Pernambuco  


Deixe sua opinião:

Veja também: