A Polícia Civil do Piauí deflagrou, na manhã desta terça-feira (14), a Operação Gabinete de Ouro, que investiga um amplo esquema de corrupção, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e prática de “rachadinhas” na Prefeitura de Teresina. A ação tem como alvos ex-servidores públicos e pessoas ligadas à gestão do ex-prefeito Dr. Pessoa (2021–2024), incluindo a sobrinha do ex-prefeito, Suelene Pessoa, apontada como uma das principais envolvidas no esquema. Sol Pessoa, como era mais conhecida, seria a “toda poderosa” da administração, segundo era comentado nos bastidores da política.
Segundo o Departamento de Combate à Corrupção (DECCOR), a investigação teve início após o recebimento de uma denúncia anônima acompanhada de um dossiê detalhando práticas irregulares dentro da administração municipal. O material indicava que servidores comissionados e terceirizados estariam sendo usados como operadores financeiros de um grupo organizado, responsável por movimentar recursos de forma ilegal e repassar parte de salários a gestores e intermediários.
Desde antes da prisão, já havia indícios públicos de que Sol atuava como uma figura de influência forte dentro da administração de Dr. Pessoa. Uma reportagem do Diário do Povo de abril de 2025 revelou que ela era alvo de investigação por corrupção, enriquecimento ilícito e uso da estrutura da prefeitura como plataforma de poder.
Além disso, denúncias e matérias de imprensa apontam que ela foi designada para ocupar funções-chave e servir como interlocutora entre empresas contratadas e o governo municipal. Em entrevistas e coberturas locais, críticos relataram que Sol chegou a ganhar uma sala exclusiva dentro da administração para seus contatos, e era tratada como “assessora especial de confiança” em operações de nomeações e contratos.
O fato de Sol Pessoa ter exercido influência nos bastidores — sem ocupação formal de destaque visível — torna ainda mais relevante a investigação: examina-se não só o que ela fez formalmente, mas o poder de articulação e de intermediação que ela detinha. Agora, com sua prisão temporária, o desafio da polícia e do Ministério Público será mapear o tamanho dessa estrutura paralela de poder, suas ramificações, e provar as movimentações ilegais com provas concretas.
Mandados e apreensões
Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, quatro mandados de prisão temporária e ordens de sequestro de bens. Entre os locais alvos da operação está uma residência no bairro Saci, zona sul de Teresina, onde foi presa Suelene Pessoa, conhecida como Sol Pessoa, sobrinha do ex-prefeito.
De acordo com a delegada Amanda Bezerra, Sol Pessoa seria “laranja” de investigados do esquema e participava ativamente da movimentação de recursos.
“Foi um cumprimento de mandado de busca na região do Saci, supostamente uma laranja vinculada aos alvos principais da operação. Foi apreendido aparelho celular, notebook, dinheiro em espécie — aproximadamente R$ 5 mil —, cheques, bem como anotações que vinculam ela diretamente aos investigados”, informou a delegada.
Os agentes também apreenderam documentos que indicam operações financeiras e repasses indevidos a servidores terceirizados. Segundo as investigações, parte dos contratados era obrigada a devolver parte do salário, numa prática típica de “rachadinha”.
O juiz da Central de Inquéritos de Teresina decretou o sequestro e a indisponibilidade de bens dos investigados, que somam mais de R$ 75 milhões. Entre os bens bloqueados estão imóveis de alto padrão, apartamentos e terrenos supostamente adquiridos com recursos públicos desviados.
Esquema com empresas privadas
O DECCOR apurou ainda que o grupo contava com apoio de construtoras e prestadoras de serviços, utilizadas como meio para disfarçar a origem dos recursos. Os pagamentos eram feitos por meio de contratos superfaturados ou serviços não executados. O objetivo era desviar verbas da Prefeitura e lavar o dinheiro em nome de terceiros, como familiares e pessoas de confiança dos líderes do grupo.
Outro alvo: ex-presidente da Fundação de Cultura
Também foi deflagrada hoje (14) a Operação Interpostos que teve como alvo Stanley Freire, filho do jornalista Silas Freire. Ele foi presidente da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves (FMC) em 2024, durante a gestão de Dr. Pessoa.
A polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na residência de Stanley e em uma empresa localizada no Centro da capital. Até o momento, a defesa afirmou desconhecer o motivo da investigação.
Avanço das investigações
As investigações seguem em andamento, e a polícia deve analisar o material apreendido nos próximos dias. O objetivo é identificar a extensão das operações financeiras e o envolvimento de outros servidores e empresários.
A Operação Gabinete de Ouro expõe, até agora, um complexo esquema de corrupção estruturado dentro da máquina pública, sustentado por relações pessoais, contratos direcionados e devoluções de salários. O caso reforça a necessidade de maior controle e transparência na administração municipal, especialmente em cargos de livre nomeação.
Operações da Polícia Civil prende Sol Pessoa e faz busca e apreensão na residência de Stanley Freire
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