Uma operação conjunta do Ministério Público do Piauí e da Polícia Civil colocou no alvo um grupo de influenciadores digitais que, segundo as investigações, movimentou mais de R$ 5 milhões com o chamado “jogo do tigrinho”, rifas clandestinas e outros jogos on-line.
Entre os investigados estão a influencer Sarah Brenna, o marido dela, identificado como A.S.H.A.S., o também influenciador Vítor Mídia e duas pessoas apontadas apenas pelas iniciais L.M.B. e L.C.M.J.. Todos são ligados a uma rotina de ostentação exibida principalmente no litoral do Piauí, nas cidades de Parnaíba e Luís Correia, onde a operação cumpriu mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas e sequestro de bens.
De acordo com a apuração, o grupo usava perfis em redes sociais para atrair seguidores para plataformas de jogos e apostas ilegais, prometendo prêmios altos, “liberdade financeira” e uma vida de luxo. A contraparte dessa vitrine eram comissões recebidas por indicação de novos jogadores e, segundo os investigadores, um sofisticado esquema de movimentação financeira para esconder a origem do dinheiro.
Os relatórios financeiros mostram números expressivos e incompatíveis com qualquer renda formal declarada. Em nome de L.M.B. foram rastreados R$ 213.606,60. Já Sarah Brenna movimentou R$ 1.311.784,32, enquanto o marido, A.S.H.A.S., aparece com R$ 1.664.582,01. As contas ligadas a L.C.M.J. somaram R$ 637.783,14.
O caso de Vítor Mídia chama ainda mais atenção pelo padrão das transações: as contas dele registraram R$ 1.173.117,64, compostos em grande parte por microcréditos que variavam de R$ 0,02 a R$ 20,00, enviados por mais de 3 mil pessoas diferentes. Para os investigadores, esse tipo de fluxo pulverizado é típico de rifas clandestinas e sorteios ilegais, em que pequenos valores, somados, geram grandes montantes.
O delegado Ayslan Magalhães afirma que esse conjunto de dados — alto volume de dinheiro, ausência de renda formal compatível e uso de empresas associadas a pagamentos digitais ligados a jogos ilegais — reforça fortes indícios de ocultação de patrimônio, dissimulação de recursos, evasão fiscal e vantagem econômica ilícita.
Na ofensiva desta semana, equipes apreenderam celulares, notebooks, documentos, mídias eletrônicas e veículos de alto padrão. Todo esse material passará por perícia para reconstruir o caminho do dinheiro, identificar contas bancárias e carteiras digitais utilizadas e apontar eventuais novos envolvidos. Ao mesmo tempo, a Justiça determinou o bloqueio de valores mantidos em contas de todos os alvos, numa tentativa de impedir que o patrimônio seja diluído ou transferido.
Segundo o Ministério Público, além do foco financeiro, a investigação mira o impacto sobre os seguidores. Uma parte importante do público atingido seriam jovens e pessoas de baixa renda, que acreditaram nas promessas de lucro rápido feitas pelos influenciadores e acabaram se expondo a jogos de alto risco e possíveis golpes.
Os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, estelionato e exploração de jogo de azar, além de ações civis por danos coletivos. O inquérito continua em andamento, e novas etapas da operação não são descartadas, a depender do que for encontrado nas perícias e nas quebras de sigilo autorizadas pela Justiça.
Operação policial desmonta esquema de influencers que movimento mais de R$ 5 milhões com o Jogo do Tigrinho no litoral do Piauí
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