A Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União, deflagrou nesta quarta-feira (20) a Operação Limos, nova ofensiva contra um suposto esquema de fraudes em contratos públicos no Piauí. A ação tem como foco irregularidades envolvendo contratos de merenda escolar no município de São Raimundo Nonato, na gestão de Carmelita Castro (PT) e é considerada desdobramento direto da Operação Contrato Simulado, que já havia investigado desvios milionários na área da saúde em Picos.
Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Teresina, São Raimundo Nonato e Picos, por determinação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). As investigações apontam possível atuação articulada entre empresários, agentes públicos e agentes políticos para fraudar licitações destinadas ao fornecimento de alimentos para estudantes da rede municipal.
Segundo a PF e a CGU, o grupo investigado teria manipulado processos licitatórios por meio da inclusão de cláusulas restritivas indevidas nos editais, reduzindo a concorrência e favorecendo previamente uma empresa fornecedora específica. O prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 1 milhão.
As investigações também identificaram suspeitas de sobrepreço em contratos avaliados em aproximadamente R$ 1,3 milhão, além de indícios de movimentações financeiras consideradas atípicas. De acordo com os órgãos de controle, parte dos recursos desviados teria circulado por intermédio de terceiros e empresas utilizadas para ocultar a origem e o destino do dinheiro.
Outro ponto considerado grave pelas autoridades é a suspeita de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. A CGU afirma que há indícios de que a empresa investigada realizou repasses financeiros a um vereador de São Raimundo Nonato, que também ocupou cargos na administração municipal.
As apurações apontam ainda que recursos ligados à empresa sob investigação teriam sido utilizados na compra de um veículo destinado a uma pessoa ligada à gestão pública do município, reforçando suspeitas de lavagem de dinheiro e desvio de verbas públicas.
O nome da operação — “Limos” — faz referência, na mitologia grega, ao espírito que personificava a fome. Segundo a PF, a escolha do nome simboliza justamente a suspeita de desvios em recursos destinados à alimentação escolar, o que poderia ter afetado diretamente a oferta de merenda aos alunos da rede pública municipal.
Desdobramento da Operação Contrato Simulado
A Operação Limos surgiu a partir de informações obtidas durante a Operação Contrato Simulado, deflagrada em junho de 2025 pela Polícia Federal, CGU e Receita Federal. Na época, a investigação tinha como foco contratos da Secretaria Municipal de Saúde de Picos firmados entre 2021 e 2023.
Naquela operação, os investigadores apontaram a existência de uma suposta cooperativa médica de fachada utilizada para intermediar mão de obra irregularmente, reduzir pagamento de tributos e viabilizar fraudes em contratos financiados com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo a PF, o esquema envolvia:
- manipulação de pesquisas de preços;
- direcionamento de licitações;
- contratos simulados;
- superfaturamento de serviços;
- lavagem de dinheiro;
- utilização de empresas de fachada e “laranjas”.
Durante a ofensiva da Contrato Simulado, foram cumpridos mandados em Teresina, Fortaleza e Eusébio, no Ceará. A Justiça Federal determinou bloqueio de R$ 3,5 milhões dos investigados e apreendeu veículos de luxo, celulares e computadores.
Agora, a análise das movimentações financeiras daquela investigação levou os órgãos de controle até contratos ligados à merenda escolar em São Raimundo Nonato, ampliando o alcance das apurações.
Os investigados na Operação Limos poderão responder pelos crimes de:
- peculato;
- frustração do caráter competitivo de licitação;
- associação criminosa;
- corrupção ativa e passiva;
- lavagem de capitais.
Até o momento, os nomes dos investigados não foram oficialmente divulgados pelas autoridades.
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