• 4 de junho de 2026
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quarta-feira, 25 de março de 2026 | Eddy Carlos

Ministério Público pede quebra de sigilo em investigação que revela esquema milionário da rede de postos HD e ligação com facção criminosa

CARBONO OCULTO 86: Denúncia aponta fraude por quase 10 anos, prejuízos a consumidores e um rombo estimado em R$ 74 milhões, com suspeita de lavagem de dinheiro e atuação organizada no Piauí

Uma investigação que começou a partir de reclamações de consumidores acabou revelando um esquema muito maior do que se imaginava. O Ministério Público do Piauí, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, denunciou 12 pessoas suspeitas de integrar uma rede de fraudes envolvendo a chamada Rede HD de postos de combustíveis, alvo da Operação Carbono Oculto 86 deflagrada em novembro do ano passado.

O caso chama atenção não só pela quantidade de investigados, mas pelo tempo em que as irregularidades teriam acontecido: quase uma década, entre 2016 e 2025. Nesse período, segundo as investigações, consumidores podem ter sido enganados tanto na qualidade quanto na quantidade do combustível abastecido.

E não para por aí. O que parecia ser apenas fraude em postos pode ter ligação com algo bem maior: uma estrutura criminosa com atuação nacional, ligada ao Primeiro Comando da Capital.

Quem são os denunciados

  • Haran Santhiago Girão Sampaio

  • Danillo Coelho de Sousa

  • Thamyres Leite Moura Sampaio

  • Thayres Leite Moura Coelho

  • Moisés Eduardo Soares Pereira

  • Salatiel Soido de Araújo

  • Denis Alexandre Jotesso Villani

  • Andressa Castro Alves de Oliveira

  • João Revoredo Mendes Cabral Filho

  • Victor Linhares de Paiva

Quais crimes são investigados

  • Adulteração de combustíveis

  • Fraude no abastecimento (como a chamada “bomba baixa”)

  • Falsidade ideológica

  • Lavagem de dinheiro

  • Organização criminosa

VEJA REPORTAGENS DA OPERAÇÃO:

1 - Operação Carbono Oculto 86: Polícia fecha 49 postos no Piauí e investiga empresários e ex-vereador por lavagem de dinheiro ligada ao PCC

2 - Operação Carbono Oculto 86 expõe infiltração do PCC no setor de combustíveis e liga empresários e ex-vereador a esquema bilionário no Piauí

De acordo com o Ministério Público, o grupo não atuava de forma improvisada. Havia estrutura. Parte do esquema envolvia o uso de “laranjas” e mudanças frequentes no quadro das empresas para esconder quem realmente comandava o negócio e dar aparência legal ao dinheiro obtido de forma ilícita.

Um dos pontos mais graves da investigação mostra que havia até planejamento para ampliar a fraude. Uma distribuidora estava sendo montada na região da Grande Teresina, onde, segundo os investigadores, ocorreria a adulteração dos combustíveis. No local, foram encontradas anotações com fórmulas que incluíam substâncias como álcool anidro e nafta.

Outro detalhe que reforça a complexidade do caso são as movimentações empresariais consideradas suspeitas. A rede de postos foi vendida em 2023 para uma empresa recém-criada, com endereço em São Paulo e sem histórico compatível com o tamanho do negócio — um indício clássico, segundo investigadores, de tentativa de ocultar a origem do dinheiro.

Enquanto isso, do outro lado, estavam os consumidores. Muitos já desconfiavam que algo estava errado e chegaram a registrar boletins de ocorrência relatando prejuízos. As irregularidades foram confirmadas por fiscalizações de órgãos como o Inmetro, a ANP e o Procon.

Mesmo com decisões iniciais que chegaram a liberar o funcionamento dos postos, o Ministério Público recorreu e conseguiu reverter a situação. Hoje, os estabelecimentos seguem interditados, e os bens dos investigados continuam bloqueados — uma forma de evitar que o esquema continue funcionando.

A promotora Nayana Paz também pediu à Justiça que retire o sigilo do processo. A ideia é simples: dar transparência ao caso e mostrar à população o que, de fato, aconteceu.

Além das punições criminais, o Ministério Público pede uma indenização de R$ 74,2 milhões por danos morais coletivos — um valor que reflete o impacto direto na sociedade, especialmente em quem foi lesado sem saber.

Agora, o próximo passo depende da Justiça: aceitar ou não a denúncia e transformar o caso em ação penal. Se isso acontecer, os investigados passam a responder formalmente pelos crimes.

O caso ainda está em andamento, mas uma coisa já ficou clara: não se trata apenas de fraude em bomba de combustível. É um esquema que mistura dinheiro, estrutura empresarial e, possivelmente, crime organizado — com impacto direto no bolso e na confiança do consumidor.

 Ministério Público pede quebra de sigilo em investigação que revela esquema milionário da rede de postos HD e ligação com facção criminosa  


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