Os empresários Haran Santiago Girão Sampaio e Danilo Coelho de Souza, ex-proprietários da Rede de Postos HD, foram interceptados no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, na noite desta quarta-feira (5), por equipes da Força Estadual Integrada de Segurança Pública (FEISP) e da Gerência de Operações e Investigações Criminais (GOIC). Ambos são alvos da Operação Carbono Oculto 86, deflagrada pela Polícia Civil do Piauí para desarticular um suposto esquema de lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis com conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A ação ocorreu após decisão do juiz Valdemir Ferreira Santos, da Central de Inquéritos da Comarca de Teresina, que determinou a apreensão dos passaportes dos empresários e de suas esposas — Thamyres Leite Moura Sampaio e Thayres Leite Moura Coelho — por risco de fuga do país. O magistrado citou o elevado poder aquisitivo do grupo, que possui inclusive aeronave própria, como fator de preocupação para a Justiça.
“Evidencia-se que a adoção de medida restritiva voltada a Haran Santhiago Girão Sampaio, Danillo Coelho de Sousa, Thamyres Leite Moura Sampaio e Thayres Leite Moura Coelho é imprescindível, diante do elevado risco de evasão internacional”, destacou o juiz em sua decisão.
Apesar da gravidade dos fatos, o pedido de prisão temporária foi negado, sob o entendimento de que as medidas cautelares seriam suficientes para assegurar o andamento das investigações.
Além da retenção dos passaportes, o juiz determinou o bloqueio de R$ 348,7 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas. Os quatro alvos também estão sujeitos a:
Comparecimento obrigatório sempre que forem intimados;
Proibição de deixar a comarca de Teresina sem autorização judicial;
Proibição de manter contato com outros investigados, inclusive por redes sociais, aplicativos de mensagens ou intermediários.
A Operação Carbono Oculto 86 investiga um complexo sistema de fraudes fiscais e movimentações financeiras ilícitas, supostamente praticadas por empresários piauienses por meio de empresas de fachada, distribuidoras e fintechs criadas para mascarar o fluxo de capitais. Segundo as investigações, 49 postos de combustíveis já foram interditados no Piauí e em outros estados do Nordeste por suspeita de servirem como fachada para o grupo.
As apurações seguem em sigilo, e novas fases da operação não estão descartadas.
VEJA O VÍDEO DA ABORDAGEM E APREENSÃO DOS PASSAPORTES:
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