Uma operação conjunta entre a Polícia Militar do Piauí (2ª CIPA), Polícia Federal, Vigilância Sanitária Municipal e a Secretaria de Meio Ambiente de Parnaíba (Semar) resultou na apreensão, nesta quinta-feira (25), de toneladas de barbatanas de tubarão e uma série de outros produtos marinhos dentro de uma casa na cidade. O flagrante ocorreu após denúncias de odores fortes e movimentações suspeitas durante a madrugada. Dois homens tentaram fugir pulando o muro, mas foram detidos; deram autorização apenas parcial para entrada da equipe. Posteriormente, com apoio da Polícia Federal, a fiscalização retornou e descobriu uma estrutura de produção ilegal completa: barbatanas em múltiplos estágios de secagem e trituração, cavalos-marinhos mortos, bexigas natatórias, balanças de precisão, embalagens, além de insumos químicos (como peróxido de hidrogênio) para tratamento e conservação dos itens. Documentos financeiros de alto valor, cartões bancários e registros vinculados a pessoas de nacionalidade brasileira e chinesa também foram encontrados no local. Os agentes identificaram ainda ligação clandestina de energia elétrica, configurando furto no local.
Os suspeitos, dois chineses, foram conduzidos até a sede da Polícia Federal em Parnaíba, onde permanecem à disposição da Justiça, enquanto todo o material apreendido foi catalogado e recolhido para investigação. As autoridades classificaram o episódio como um dos mais graves crimes ambientais já registrados na região, dada a escala das apreensões e o potencial impacto sobre espécies marinhas protegidas.
Além da flagrante ilegalidade no Brasil — onde pesca e comércio de barbatanas de tubarão são proibidos e considerados práticas predatórias — o caso ganha contornos internacionais ao tocar numa demanda que persiste na cultura oriental. Na Ásia, especialmente na China e no Japão, a barbatana de tubarão é usada para preparar sopas de prestígio em banquetes, considerada símbolo de status e prestígio (apesar da controvérsia ecológica). Algumas reportagens apontam que, para elevar o valor simbólico, o prato é caro e raro, chegando a custar até milhares de reais.
Quanto ao cavalo-marinho, ele é bastante valorizado na medicina tradicional chinesa e em práticas similares, sendo usado como ingrediente em remédios afrodisíacos, na crença de que estimula energia sexual, alivia fadiga ou trata disfunções sexuais, além de aparecer em sopas ou vinhos medicinais. No Brasil, também é usado em remédios populares, chás (com o animal seco e moído) ou até como amuleto em práticas místicas ou religiosas.
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